Blue Sky Black Death - Noir
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ficha técnica
Nota: 3.8 / 5
Ano: 2011
Selo: fake Four Inc
Estilos: post hip hop, hip hop
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Blue Sky Black Death - Noir
04.08.11 13:45
Nos muitos caminhos seguidos pelo hip-hop desde seu nascimento, ele cruzou com riffs de rock, foi diluído no dub, derretido no experimentalismo eletrônico, frequentemente incorporado à soul music e por aí afora; e em muitas encruzilhadas perdeu sua voz, deixando para trás as rimas, uma de suas marcas de nascença.

Numa dessas esquinas encontrou dois branquelos chamados Young God e Kingston, que o absorveram e utilizando sua essência passaram a criar música sob o nome Blue Sky Black Death.

Já no primeiro disco, A heap of broken images (de 2006), a dupla mostrava que suas bases se sustentavam por si mesmas, vivendo independentes do rap dos muitos MCs convidados. "Days are years", sua primeira faixa, ilustra essas palavras com uma verve psicodélica, livre das amarras tradicionais do gênero.

Ao longo dos anos o BSBD continuou nessa trilha, e em seu último trabalho pôs novamente de lado a poesia e se concentrou no ritmo. E nas colagens, sintetizadores, arranjos, instrumentações...Noir é um disco de hip-hop? Não tenho certeza.

Na rede o álbum recebeu tantas tags quanto se pode imaginar, de shoegaze/dream pop a chillwave e trip-hop. Rotulá-lo é um trabalho bem mais árduo que ouví-lo; tentar compreendê-lo e explicá-lo pode ser uma missão igualmente dura. A melhor coisa a fazer com suas quatorze músicas é apertar o play e deixá-las fluir.



Juro que o primeiro contato me trouxe à mente lembranças nubladas de Cocteau Twins, Cranes e outras obscuridades dos porões góticos paulistanos. Algo sombrio e ao mesmo tempo cheio de sentimento, sem os vocais - mas com diversos fragmentos de vozes, cantadas ou faladas- e forrado de diferentes elementos, beats e efeitos , de guitarras etéreas a percussões e pianos ocasionais.



Soando onírico mesmo quando é dançante (ouçam "And stars, ringed"), Noir é maximalista, abstrato e nele o Blue Sky Black Death exercita todo seu potencial criativo como produtores que são. Cada faixa é amarrada à outra, e o disco funciona melhor justamente como um todo - explodindo a cada momento e espalhando seus muitos estilhaços em várias direções - coeso dentro de sua própria e única atmosfera.







Fábio Bridges
Fábio Bridges
www.pequenosclassicosperdidos.wordpress.com
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