Depois de ser incluído na lista de promessas de 2011 da BBC e toda a crítica do hemisfério norte se rasgar em elogios por ele, o compositor, cantor (e acima de tudo produtor) James Blake finalmente lançou seu álbum de estreia, auto-intitulado, na última segunda-feira (7). Se você ainda não ouviu o som do cara, aproveite a data para fazê-lo.
Nascido em Londres, Blake tem 22 anos e começou a estudar piano aos seis. Ele é um rapaz magrelo, cabelo bagunçado, de feições quadradas e tão tristes quanto os arranjos que saem da mesa sobre a qual mantém seu equipamento de gravação, em casa. Também discoteca em festas de amigos e, mais recentemente, para ganhar dinheiro.
Há quem diga que não passa de um rostinho amigável e branquinho, na medida para apresentar o dubstep ao mainstream (de fora da Inglaterra). Mas quem liga?
Sua música é uma mistura de música negra norte-americana, soul e r&b, e eletrônica inglesa. Suas influências começam na coleção de discos de seus pais, abastecida pelo som de gravadoras como Stone Flower e Epic Records, e segue pelas noitadas de dubstep de Londres, movidas pelo grave de artistas como Mala e Coki, mais conhecidos como Digital Mystikz.
Blake, que já fez remixes pouco inspirados para Lil Wayne e Snoop Dogg usando o pseudônimo Harmonimix, lançou seu primeiro vinil em julho de 2009, e o chamou de"Air and lack thereof". A faixa é uma prévia do que viria a seguir, com poucos vocais aplicados em repetição.
Vieram mais três EPs, "The bells sketch", "CMYK" e "Klavierwerke" antes deste seu primeiro álbum.
Ele emenda com naturalidade uma bela melodia tocada ao piano com outra sequência puramente rítmica, feita apenas de uma estremecedora linha de baixo e poucas batidas eletrônicas, como se ouve em "Limit to your love". A faixa, cover de uma música lançada pela cantora canadense Feist em seu álbum "The reminder", de 2007, é a expressão mais bem acabada do trabalho do inglês.
Fiquei surpreso. Não tinha lá as melhores expectativas, mas um dia comecei a ouvir algo que soava grande, até apoteótico (sem delongas) quando dei por mim, era "I Never Learnt To Share" no deck.
Muito AuÊ para pouca sonoridade....