O trio de Estocolmo tem o dom para criar poderosas e cintilantes canções pop. Após o sucesso estrondoso de
"Young Folks",
Peter, Bjorn & John se sente confortável para correr riscos e se aventurar por novos caminhos. Não obteve o reconhecimento esperado e, em março, o grupo tem sua segunda chance.
Gimme Some é um disco praticamente impecável, e que revela um tino comercial aguçado.
A banda se formou em 1999, e logo ofereceu uma explosão de energia. Tanto a estréia auto-intitulada, quanto seu sucessor,
Falling Out, apresentaram refrões bem trabalhados e músicas cheias de nuances, que lembraram o pop dos Beatles, do Elvis Costello e do Teenage Fanclub. Foram trabalhos fortes, ambiciosos e excitantes.
Porém, o verdadeiro impacto ocorreu com
Writer's Block. Nele, o PB&J usou sua experiência melódica e amadureceu sua habilidade em construir interessantes texturas. O resultado foi um disco confiante, focado e sólido, com uma dinâmica plenamente estabelecida. Além disso, continha o irresistível assobio e o divertido bongô de "Young Folks", a canção pop perfeita.
Então, o grupo subverteu todas as expectativas com
Seaside Rock, um álbum essencialmente instrumental e que contou, até mesmo, com três faixas apresentando monólogos em diferentes dialetos suecos. Apesar de estranho, o disco teve seu charme. Mais tarde, os integrantes se referiram ao Seaside como uma "forma de terapia" e "nosso tipo de monstro". Segundo eles, houve, inclusive, agressões durante as sessões de mixagem.
O lançamento seguinte,
Living Thing, confirmou que o sucesso bagunçou a vida dos rapazes. O PB&J se moveu através dos anos 80 de uma maneira experimental e escura. O álbum apresentou boas idéias, mas não estavam organizadas com a precisão de antigamente.
Gimme Some é um retorno à sonoridade pop - a acessibilidade está de volta através de melodias simples e ensolaradas. A banda sempre produziu seus álbuns, mas, dessa vez, trabalhou com Per Sunding, um dos padrinhos do pop sueco. Com a ajuda dele, o trio criou um disco agressivo e arrebatador, com diversas faixas em potencial para o sucesso.
Todas as faixas parecem hits prontos, começando pela abertura, "Tomorrow Has to Wait". "Dig A Little Deeper" apresenta todos os elementos de um bom indie-pop, enquanto "Second Chance" e "(Don't Let Them) Cool Off" são pegajosas e perspicazes.
A faixa 4, "Eyes", é leve e ensolarada. "Breaker, Breaker", por sua vez, mostra que Sunding injetou um pouco de peso e sujeira às músicas. O mesmo vale para "Black Book" e "Lies", que possuem uma pitada de punk rock. "May Seem Macabre" e "Down Like Me" são levemente mais sombrias, e o disco é encerrado com a viagem de "I Know You Don't Love Me".
Os últimos anos parecem ter sido esclarecedores para o Peter, Bjorn & John. Eles conheceram a fama e a indiferença. Entenderam que a cena pop é um negócio. Perceberam que o público indie em geral é, ironicamente, conservador. Sendo assim, entregaram o disco imediato, eficiente e alegre que todos esperavam.
Gimme Some é um disco menos espontâneo e mais racional. Por mais doloroso que seja admitir, não é um reflexo da forma como muitos de nós amadurecemos? Seja lá como for, temos aqui a ressurreição de uma banda que nos proporciona um trabalho consistente e agressivo.
A pena é ouvir (ou ler) por aí tão pouco sobre isso que chega até a ser obvio. E particularmente é engraçado como sempre os auto intitulados mais "outsiders" são sempre os mais reacionários, pois são os que menos aceitam desvio de dogmas...