Eskmo - Eskmo
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ficha técnica
Nota: 4 / 5
Ano: 2010
Selo: Ninja Tune
Estilos: Eletrônica, Lleftfield, beatmaking
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Eskmo - Eskmo
O americano Brendan Angelides cria um dos álbuns mais inesperados do ano, unindo a arte de fazer batidas a uma entrega pessoal comovente.
21.12.10 22:15
2010 foi o ano da consolidação dos beatmakers americanos como forças motrizes de uma nova musicalidade eletrônica. Depois de anos e anos de um cultura amplamente influenciada pelo hip hop, nada mais natural que o surgimento de uma nova geração de produtores americanos que não tem o menor pudor em subverter os métodos tradicionais, desconstruindo uma sonoridade gasta e cheia de clichês e usando os milhões de cacos que restaram para construir algo fresco. E o americano Brendan Angelides traz muita dinamite pra ajudar na implosão.

Produzindo beats desde 1999, Brendan reside na ensolarada São Francisco e já lançou faixas por selos de renome como Warp e Planet Mu. Sua carreira inclui 2 LPs prévios, lançados por conta própria. Até então, Eskmo usava a manjada tática de se prender a estruturas amigáveis a djs para ganhar notoriedade. Mas tudo começou a mudar com seu envolvimento com figuras proeminentes dessa eletrônica mais solta e livre, como o brasileiro Amon Tobin, Nosaj Thing e Flying Lotus. E nisso, uma sonoridade poderosa surgiu.

"Durante esses dois últimos anos, sinto que me livrei dessas fórmulas e apenas estou escrevendo as canções que eu quero escrever. Foi um retorno ao que me excitava na música eletrônica quando comecei, criar esses pequenos universos sonoros e compor músicas". E de fato, os universos sonoros criados por Brendan em seu primeiro álbum, lançado pelo conceituado selo Ninja Tune, são de tirar o fôlego.

"Cloudlight", a faixa de abertura do disco, já dá indícios do que vem a seguir. Uma qualidade material forte cria tensão pelo espectro sonoro. A voz rouca e torpe de Angelides ecoa de forma melancólica por sobre as batidas secas e acordes menores. Um blues eletrônico naturalista. A voz muito característica de Eskmo aparece por todo o álbum. Apesar de não ser o maior dos crooners, suas cordas vocais tem uma textura que agrada (uma lição muito bem ensinada pelo mais recente xerife de detroit Matthew Dear: intenção clara muitas vezes conta mais do que técnica apurada).



Em faixas como "Moving Glowstreams", Eskmo é imagético. Cada som remete a uma propriedade física muito específica de um objeto, uma correspondência física com o mundo material. Beat Concreto. Quase uma influência poltergeist das frequências sonoras sobre um cenário determinado. Fechando os olhos se imagina: copos tilintando sobre uma mesa, talheres se agitando e se chocando com louça branca, janelas abertas, cadeiras flutuando e pads que movimentam uma brisa colorida que preenche a atmosfera e arrepia os pêlos do antebraço.

E logo em seguida, a psicodelia no seu sentido mais poderoso, da total desconexão com as causalidades. Em faixas como "Starships", Brendan Angelides cria sons impossíveis, gerados por objetos impossíveis, em planos de existência remota e completamente desconhecidos. Coisa de ficção científica muito avançada. Tudo com uma clareza de dicção, uma assertividade muito interessante, que lembra a mesma firmeza de propósito de gente como Richard D. James e Tom Jenkinson.

Flash Content
Eskmo - Moving Glowstream (mp3)

Flash Content
Eskmo - Starships (mp3)

Flash Content
Eskmo - We Have Invisible Friends (Washed Mix) (mp3)

Musicalmente, os ritmos se encadeiam de forma errática. Batidas quebradas, batidas que fogem inesperadamente do andamento e deixam você um tanto quanto perdido. Mudanças bruscas de tempo. Em alguns momentos, a sonoridade se fratura de forma tão abstrata que a única coisa a fazer é se soltar e deixar-se envolver pelas belas melodias de forma completa, observando atônito todas formas e cores e ângulos. Se George Braque, o pintor cubista, vivesse hoje fazendo beats via Ableton Live, ele e Brendan Angelides seriam muito bons amigos.

"My Gears Are Starting to Tremble" fecha o álbum de forma agonizante. Um trabalho de tamanha entrega pessoal, desenvolvido com tamanha destreza e sinceridade deve ser mesmo extenunate. Pena que o disco chegou no finalzinho de 2010. Caso tivesse mais tempo para ser absorvido por mais gente, figuraria fácil em grande parte das listas de melhores do ano.



Thiago Freitas
Thiago Freitas
everybody love everybody
comentários
2 comentários
Pedro Volp
Pedro Volp(10.01.11)
0AprovadoQueima
achei do kct o som desse cara, muito bom...
gui xavier
gui xavier(28.12.10)
1AprovadoQueima
Belíssima resenha hein. Vou ouvir!

;)