Entra ano e sai ano e as compilações da
Kompakt seguem firmes e fortes, sempre com algumas novidades "embaixo da manga" da marca. Bem, este ano não poderia ser diferente, as novidades foram o ineditismo de cerca de 95% das produções que marcaram a coletânea em seu lançamento, 31 de agosto. Faixas novas de Wolfgang Voigt e seu moniker, Sog; de Gui Boratto com Iggor Cavalera; de The Field; de projetos novos como Three Lions (de Jörg Burger, Superpitcher e Rebolledo que ainda conta com a participação de Michael Mayer no sax); It's a Fine Line (com Ivan Smagghe e Tim Paris) e os novatos do Walls.
A coisa toda continua um tanto épica. Desde 2005, as Kompakts são duplas (em CD) ou triplas (em vinil). A melodia e estranheza que tanto marcam o selo estão lá. Aglutinadas, mas presentes. Um conglomerado de sub-gêneros da eletrônica ou caminhada pelo pop ambient seriam maneiras fáceis de se referir à compilação. A linearidade espalhada pelos álbuns deixa claras a distinção entre um e outro, porém também demonstra a capacidade de expansão da Kompakt.
Na
Kompakt Total 10 - do ano passado,
leia aqui - era perceptível algum acréscimo orgânico às produções fosse através de instrumentos acústicos, samples de atividades físicas, ou vocais esparsos aqui e ali. Aqui, na
KompatTotal 11, os vocais são em um primeiro momento o carro-chefe do trabalho e a organicidade se mostra bastante presente, como na faixa "esquisitona" de (DJ) Koze, "Der Wallach" que abre "os trabalhos" deste ano.
No meio das inúmeras referências que permeiam ambos álbuns um todo podemos sentir no ouvido o roçar analógico do electro em "Mensch Und Maschine" de Jürgen Pappe, o "retorno" a uma pegada house na faixa assinada por Ada & Heiko Voss, "Walk Over", a cara funky latina que muitos amantes de LCD Soundsystem ou Rebolledo vão amar em "Rollerskate (Sanfuentes & Thunders Version)" de Matias Aguayo, seguida da "vocalica" e meio esquizoide "Lapdance" de Superpitcher. Muitos vocais, muito cheiro de funk pop de 89. Tudo isso só no primeiro álbum, que é bem menos pista e mais cheio de vocais.
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Jurgen Paape - Mensch Und Maschine (mp3)
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Superpitcher - Lapdance (mp3)
A Kompakt não pode deixar para trás as pistas minimalistas e melódicas, e já sendo uma espécie de tradição é em seu segundo álbum que a mesma é visitada. Os vocais continuam, mas timidos.
Marcando este segundo momento, surge um Thomas Fehlmann bem deep, reto e bem housy - parece paradoxal, mas é. "Wasser Im Fluss (Soulphiction Mix)" vai crescendo aos poucos, seus elementos vão tomando a espacialidade da produção, bem como as referências que a marcam. Logo atrás vem Michael Maye. O Hammond não nega a essência também house da faixa, "Picanha Frenesi" - se tem algo a ver com o EP
"Picanha" de Thomas Schumacher lá de 2008, não sei dizer.
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Thomas Fehlmann - Wasser Im Fluss (Soulphiction Mix) (mp3)
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Michael Mayer - Picanha Frenesi (mp3)
Gui Boratto faz uma parceria interessantíssima com Iggor Cavalera em "Plie". No desenrolar da faixa Iggor a marca com bela linha/solo de bateria. De arranjo bem casado com a bateria "tocada" são acrescentadas belas linhas melódicas e cordas que lembram trabalhos anteriores de Boratto. Bonita. De visão e aspecto progressivo, "For Yves" de Jonas Bering, se utiliza de efeitos para mostrar a linearidade do techno alemão. Enquanto isso, os "novinhos" do Walls trazem um clima
"Funky Town", Lipps Inc. na fofinha "Hang Four (Allez-Allez Mix)"
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Gui Boratto feat. Iggor Cavalera - Plie (mp3)
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Walls - Hang Four (Allez-Allez Mix) (mp3)
De todas as Kompakt Totals, esta é uma das mais consistentes, desde a nona edição (
leia aqui) não havia escutado uma com tanta coerência. Outras faixas que se sobresaem e valem a audição: "I Wouldn't Wanna Be Like You" de Justus Köhncke; "Eins Fine Grind" do duo It's a Fine Line; The Field com "Caroline", "Hello Gorgeous" de Popnoname, Pachanga Boys - "apadrinhados" de Matias Aguayo - com "Power" e The Three Lions,"You'll Win Again", com um quê de reggae fechando o segundo disco.
De forma geral, a compilação anual da Kompakt não deixa a desejar. Tem de quase tudo que é relevante no selo, desde os nomes consagrados até os mais novos, permeando os gênero e sub-gêneros que a marca carrega. Mas o que se esperar de uma compilação com 26 faixas e quase duas horas e meia de duração?
Aa Kompakt Total representa bem o seu tamanho e a totalidade dos artistas de sua "carta". Dá para apresentar bem aquilo que o selo/marca se tornou com o passar dos seus 15 anos de vida, é bacana escutar percebendo que as produções, os artistas e o label estão evoluindo, continuando atuais e relevantes.