The Social Network OST
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ficha técnica
Nota: 3.8 / 5
Ano: 2010
Estilos: trilha-sonora
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The Social Network OST
08.12.10 12:30
Enquanto você lê esse texto mais de 500 milhões de cidadãos virtuais vivem no Facebook. Com a premissa explícita em seus pôsteres ("Você não consegue 500 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos"), A Rede Social estreou no último dia 3 de dezembro, aqui no Brasil. Baseado no livro Bilionários por Acaso, o filme se baseia na história da fundação da maior rede social do mundo enquanto trata de ganância e traição entre seus fundadores e envolvidos.

O trailer já dava uma amostra do que viria por aí, não somente um filme de e para geeks - como o documentário Revolution OS, sobre o desenvolvimento do Linux - mas sim uma história baseada em fatos reais, quase toda fictícia, com as redes sociais em primeiro plano para dramatizar o comportamento da geração Y. Bem, a música escolhida para dar corpo ao vídeo foi "Creep", do Radiohead, em cover do coral belga Scala & Kolacny Brothers, que a deixou ainda mais dramática e taciturna.



Para a trilha-sonora o diretor David Fincher (de Seven, Clube da Luta e O Curioso Caso de Benjamin Button) convocou ninguém menos que Trent Reznor e o compositor Atticus Ross que trabalhou com Reznor nos quatro últimos álbuns do Nine Inch Nails; é seu parceiro no projeto How To Destroy Angels e autor da trilha-sonora do filme O Livro de Eli.

A trilha foi construída em cima de texturas sonoras e paisagens musicais, feitas por um piano quase espectral, filtrado por efeitos eletrônics quebradiços e frios, sobrepostos a riffs e solos de guitarra que aparecem aqui e ali. Atmosferas que Reznor vem demonstrando ao longo dos anos em suas produções, como "A Warm Place" e "La Mer" ou em seu álbum cinemático, o "magnum opus" Ghosts I-IV.

Em "In Motion", por exemplo, o sequenciador segue em escala ao fundo enquanto a música prossegue entremeada com notas de piano, também constante, indo de um crescendo a uma calmaria com retorno ao tema principal, agora mais caótico. Sinapses, o esforço da criatividade e algoritmos em fúria, digamos, são imagens que logo nos vem à cabeça. Em "Intriguing Possibilities", sintetizadores, piano "acústico", sequenciador gritam: 80s! A entrada da guitarra - com um efeito bem popular nos anos 80 - parece extraída de alguma faixa de Brad Fiedel, obscura e fazendo jus ao seu título ("Possibilidades Intrigantes", em português).





Em "Pieces Form The Whole", toda essa ligação entre humanos e tecnologia, que envolve a trilha sonora, podeser percebida, junto ao elemento 8-bit, intríseco a todo o trabalho. Não chega a ser música de videogame, mas a referência está ali. Já a faixa, "Carbon Prevails" parece uma sobra de estúdio do NIN, com a mesma pegada industrial, o sintetizador marcante e histérico por sobre ela, um clima tenso fluindo e um tanto dramático.





Uma surpresa no álbum, é a versão feita para "In The Hall Of Mountain King" de "Peer Gynt", Suíte Sinfônica de Edvard Grieg. A versão ganhou um rosto de música de console 16-bits. A última faixa da trilha, "Soft Trees Break The Fall" dá o recado de que o filme, na verdade, vai muito além da sua estampa: é densa, sorumbática e melancólica. Linda faixa para um dia de chuva.





Embora o Facebok não tenha sido desenvolvido nos anos 80, a trilha segue um caminho bem influenciado por este período. Toda permeada de intrumentos analógicos como sequenciadores, sintetizadores e drum machines, possui toda uma aura de introspecção e ansiedade. A trilha de Reznor e Ross é feita sob medida para o filme, se encaixando perfeitamente no andamento da trama. Não é épica como as de Conan, ou majestosa e icônica como a de Star Wars: é cerebral, impressionante e audível.

Para quem gosta de NIN, Reznor e afins não será nada difícil de escutá-la; já para os amantes de música incidental, ela poderá parecer repetitiva (sempre com os mesmos elementos nas faixas, embora suas texturas mudem). Visto por um outro parâmetro, a score pode ter entrado para o hall daquelas que serão relevantes em um período meio que de mediocridade musical. Agora, se a gente ouví-la daqui há alguns anos, isso é uma outra história...

Catarina Liarth
Catarina Liarth
A vida é feita de altos-e-baixos...
comentários
2 comentários
Jade Augusto Gola
Muito boa a resenha, Cat!
Catarina Liarth
Catarina Liarth(08.12.10)
2AprovadoQueima
Bem, a faixa "La mer" não é dos álbuns "Ghosts I-IV", mas sim do "Fragile", de 1999. ;]