É uma pena
Scott Pilgrim contra o Mundo ter entrado para a lista dos filmes incompreendidos. Nela figuram
Speed Racer, Dick Tracy, Onde Vivem os Monstros, Hulk (o primeiro), entre outras produções que "tinham tudo para dar certo" mas que, por algum motivo nefasto, foram rejeitadas pela massa. Até
Blade Runner foi enquadrado na lista inglória. Foi menosprezado quando estreou em 1982, mas o tempo (e o VHS) lhe deram uma segunda chance e, de cult, foi elevado a clássico da ficção-científica.
Scott Pilgrim foi anunciado como "o filme de uma geração" por se lambuzar no universo dos videogames, sem deixar de lado música, quadrinhos (foi adaptado da HQ homônima de Bryan Lee O'Malley), sitcoms e tudo o mais que hipnotiza fãs de cultura pop da "era da informação". Foi um rótulo pesado que o público não aceitou. Scott Pilgrim (Michael Cera) é o típico garoto meio-nerd-meio-descolado da faculdade que se apaixona pela garota errada (Mary Elizabeth Winstead). Para tê-la ele precisa vencer os Sete Maléficos Ex-Namorados da moça, uma lista que inclui o possível ator recordista de filmes de heróis/HQs Chris Evans e também Brandon Routh.
O diretor e co-roteirista Edgar Wright não errou nas doses de ação, comédia e romance. Acredite, Scott Pilgrim é um filme sobre um rapaz que se apaixona por uma garota, apesar do chantily pop. A impressão que se tem é que o público não gosta muito da brincadeira de fusão de linguagens. Muito menos quando esse resultado é frenético. Por este prisma, Scott Pilgrim se assemelha a
Hulk e a
Dick Tracy, cuja estética de quadrinhos não agradou, e ao lisérgico
Speed Racer.
Depois de fracassar nas bilheterias gringas,
Scott Pilgrim teve uma estréia capenga no Brasil, gravitando antes no Festival do Rio e este mês em São Paulo. A Paramount tuitou que o filme deve pipocar nas outras cidades do país. É cruzar os dedos. Se
Scott Pilgrim tivesse sido lançado em 3D, talvez a história fosse outra. O consolo (deliciosamente egoísta) é saber que muita não sabe o que está perdendo.
O filme se consolida como pérola pop também por conta da trilha sonora, assinada por Beck. Algumas faixas são creditadas ao grupo fictício de Scott e seus amigos no filme, o Sex Bob-Omb. Nas quatro músicas da banda, os próprios atores (Michael Cera, Mark Webber e Alison Pill) fizeram os vocais, enquanto
Beck executou os instrumentos. Há ainda faixas inéditas de
Metric, Broken Social Scene e do próprio Beck.
Fiquei ainda mais afim de ver o filme mas acho que nessa altura do campeonato só em DVD mesmo...
Ah, e a referência a Seinfeld quase me matou de rir na cadeira.
Agoooora...
Speed Racer (filme) ? Hulk (o primeiro) ?
" produções que tinham tudo para dar certo" ??
Sério???