Rolou ontem em São Paulo a primeira edição do
FourFest, novo selo de festival esquema pocket da cidade, no Clash Club.
Renato Cohen abriu a noite, cedo e pontual, enquanto o público estava ainda chegando. O primeiro show foi o live do inglês
Gold Panda, com sua cara de nerd esquisito, controlador midi e MPC sampler, alto e de capuz cinza, dando raras olhadas para a pista. Essa se manteve morna, aquela cara de "que som é esse" de quem vai ver o artista sem saber do que se trata. E tudo bem - difícil definir esse som experimental-soft que está rolando hoje. Uma passada no lastfm traz termos como "chillwave" e "glo fi" que pra quem não é leitor do Pitchfork pode mesmo não querer dizer muita coisa. Indefinições à parte, ficou claro ali que eventos como o FourFest devem ter a missão de criar um público para esse tipo de show no Brasil.
Em tempo: eu gostei. Mas eu já estava à espera de faixas como "You" e "Snow & Taxis" e eu acho essa nova experimentação sonora digital algo bonito e simples para ouvir e gostar.
Mas a atração principal da noite era o
Caribou. Apesar de alguns problemas no som no começo (caixa estourada do lado esquerdo, guitarrista reclamando de algo, coisas de show) a banda ganhou o público canção após canção. Uma situação e show bastante diferente
do que nós vimos em junho passado, pareceu curto - talvez porque foi muito bom.
Com duas baterias, instrumentos de percussão, guitarra, baixo e teclado, o shows me fez pensar em um Velvet Underground bonzinho e atualizado para os anos 00. As projeções por cima da banda, a evolução das canções, as várias camadas sonoras, tudo caminha para uma renovação da música psicodélica acessível a uma geração acostumada a dançar batidas sintéticas.
Vale lembrar como é importante para nosso circuito de shows ter a vinda dos canadenses do Caribou ao Brasil em 2010, ano de lançamento de
Swin e de alta rotatividade de sons que são ao mesmo tempo experimentais e dançantes, eletrônicos e orgânicos, kraut-rock e e rave (
valeu, Dago). Faixas como "Melody Day" e "Sundialing" (do álbum anterior), "Odessa", "Kaili", "Leave House" pontuaram a apresentação (eu senti falta de "Found Out"). Em crescendo constante, o final com "Sun" foi longo e épico, rendendo por completo uma platéia que demorou a relaxar. Snaith voltou para um Dj set que foi até cerca de 02h30 da manhã. A primeira edição do FourFest teve público estimado em 600 pessoas.
Sugestões para uma próxima edição (a gente não sabe de nada sobre próxima edição, é só chute):
The Books,
Emeralds,
Memory Tapes e o brasileiro
Babe, Terror.
fotos: Marcelo Fubah
Caribou pra mim é daquele tipo: conheço relativamente pouco e gosto bastante.
Isso é um boooommm sinal...