É o do it yourself em nome de uma boa farra.
Quando a música perde seu caráter messiânico, político/revolucionário ou artístico e seu lado 'cabeça' bebe demais e cai na noite para se divertir, ela é o
Chromeo.
Business Casual, novo disco da dupla P-Thugg (Patrick Gemayel) e Dave 1 (David Macklovitch) - que esteve recentemente no Brasil
em evento fechado e nos deu
essa entrevista exclusiva - não foge à regra de seus demais trabalhos. É o do it yourself em nome de uma boa farra.
O Chromeo caiu nas graças do povo festeiro em 2004, e de lá para cá a legião de fãs animados vem crescendo junto à qualidade das produções do improvável duo canadense de ascendência judaíco-árabe.
Em
Business Casual os dois velhos amigos continuam sua aventura pelos anos 80, como se os clássicos da Sessão da Tarde ganhassem uma trilha sonora feita em 2010. Isso porque os caras dão uma modernizada na dance music que precedeu o acid house e seus descendentes. Bem de leve, é verdade, mas perceptível.
Os sintetizadores analógicos, o talkbox, as batidas programadas em teclados Casio e a ironia são o acento agudo nas 10 faixas do disco, e isso não é novidade. As guitarras à la Daft Punk também não; a queda do duo pelo funk eletrônico/electro e R&B ainda é nítida. Prince e Michael Jackson, Freestyle e Afrika Bambaataa, Cybotron e Miss Kittin, além de outras coisas mais bregas - tipo
Steve B. - fazem parte do DNA musical de
Business Casual (assim como de
Fancy Footwork, segundo álbum da dupla, de 2007).
Então, o que há de novo? Nada. Algum problema com isso? Nenhum.
As pistas de dança continuam agradecendo à Dave 1 e P-Thug por faixas como "Hot Mess", "I'm Not Contagious" e "Night By Night", para ficar só nas três que abrem o álbum. Com linhas de baixo diretamente da era pós-disco e letras que sacaneiam o romantismo, as faixas de
Business Casual grudam como chiclé, mas fazem os sapatos deslizarem como talco.
A cantora Solange Knowles faz vocais em "When The Night Falls", outra candidata à hit no disco - que tem uma música cantada em francês, "J'ai Clarquá La Porte", que destoa das demais não só por seu idioma: de batidas mais lentas, com um violão dedilhado e violinos, dá ao ar cafajeste do Chromeo aquele clima blasé que o resto do mundo considera chique nos franceses.
No mais, nada de novo no front. Despretensioso, nostálgico e dançante até o caroço, o novo disco do Chromeo não apresenta nenhuma novidade bombástica, não inaugura nem encerra nenhuma cena musical e também não traz nenhuma renovação na sonoridade da dupla. Porque não é isso que eles buscam.
E se a música é mesmo feita para diversão,
Business Casual pode ser seu estandarte em 2010. Mas se você é daqueles que levam a música muito à sério, cuidado: este álbum pode lhe causar sérios danos.
P.S: Para encerrar no clima, quando está de óculos escuros Dave 1 não é a cara do
Patrick Dempsey jovem?