Underworld - dubnobasswithmyheadman
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ficha técnica
Nota: 5 / 5
Ano: 1994
Selo: Junior Boy's Own/Wax Trax
Estilos: techno, house, crossover, eletronica
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Underworld - dubnobasswithmyheadman
Grande momento do grupo quando ainda contava com Darren Emerson na produção.
17.09.10 14:10
Silêncio. De repente baixo e chimbau - ou seus similares eletrônicos, tanto faz - entram em cena. Depois um loop ininterrupto de sintetizador, efeitos, um bumbo, mais efeitos e a voz de Karl Hyde: 'Thunder, thunder, lightning ahead. Kiss you kiss you dark and long...'.

De uma forma bem quadradinha, esse é o começo de Dubnobasswithmyheadman, terceiro disco do Underworld. E de uma forma quadradinha definitivamente não é o melhor jeito de ouví-lo.

Esta história tem início em 1990. A brisa do (segundo) verão do amor ainda aquecia os ingleses, Manchester ainda era o centro do universo e no olho do furacão raver/clubber/whatever o desconhecido DJ Darren Emerson se juntava aos synthpoppers oriundos e ao mesmo tempo deslocados dos anos 80 Karl Hyde e Rick Smith, aka Underworld. Ele, vindo da cena de acid house; eles, da new wave (antes de serem o Underworld, se chamavam Freur). E se o encontro tirou Emerson do anonimato, para Hyde e Smith significou uma reviravolta em sua carreira - e o adeus definitivo aos 80's e sua indumentária de gosto duvidoso.

Nesse efervescente começo de década, os caminhos para o que hoje conhecemos como música eletrônica começavam a ser trilhados. Termos que hoje são corriqueiros, como techno, trance, drum and bass, etc, ainda não o eram. Era tudo uma coisa só, uma grande babel eletrônica, e na torre principal dessa metrópole movida à psicotrópicos o Underworld produzia sua estranha alquimia sonora; uma mistura de diferentes influências e referências, tanto musicais quanto culturais e estéticas. O resultado dessa mistura tem o curioso nome de Dubnobasswithmyheadman.

Dub sem baixo com minha cabeça, cara. Dentro das três cabeças responsáveis pelo álbum, dub e techno são irmãos, assim como house e ambient music, Tb 303, MK2 e guitarras, lisergia e euforia. É para dançar em clubes e em raves, mas também descalço na sala de casa; catártico e ao mesmo tempo explosivo.

Cada faixa pode ser desmembrada em pequenos fragmentos que nos levam a outros, e outros, e assim por diante. A primeira delas é "Dark & Long", cujo título explica muita coisa não só sobre a música em si, mas também sobre o álbum: apesar de ser um disco de dance music, feito para pistas de dança, Dubnobasswithmyheadman guarda toda a humanidade de três pessoas que colocaram ali muito da escuridão própria do ser humano (afinal, somos todos Yin e Yang; ou se preferirem, todos temos um lado negro). E aí está um de seus grandes trunfos.

"MMM Skyscrapper, I Love You", outro house bem psicodélico, abre com a guitarra de Rick Smith - que é a base da quase instrumental e roqueira "Tongue" - carregada nos efeitos e em seus mais de 13 minutos as batidas lentas, o vocal de Karl Hyde e o arsenal eletrônico de Darren Emerson vão nos envolvendo e tirando nossos pés do chão - e nossa mente de dentro dos limites da caixa craniana.



Uma coisa que não pode deixar de ser dita sobre Dubnobasswithmyheadman é a pesada carga de dub que ele carrega. Em cada uma das nove faixas, sua influência pode ser ouvida: seja nos ecos de "Surboy", na introdução da deliciosa "Dirty Epic" - uma das canções mais soulful já gravadas, dentro ou fora do universo eletrônico - ou nitidamente na preguiçosa "River of Bass".

E se alguns anos depois o Underworld seria arrancado do gueto clubber via "Born Slippy" - que entrou na trilha sonora de Trainspotting (assim como "Dark & Long") e colocou o trio em evidência mundial - "Cowgirl", sétima faixa deste tesouro já pavimentava essa estrada de tijolos amarelos.



Dubnobasswithmyheadman pode ser rotulado se muitas maneiras: techno, house, progressive, chill out, ambient e até trip-hop (vide "M.E", último biscoito do pacote). Também pode ser colocado como um álbum de transição, já que une o velho e o novo - do acid house ao techno e trance. Mas encaixá-lo em qualquer destes esquemas acaba sendo uma injustiça com o trabalho de Hyde, Smith e Emerson.



Pois o que o Underworld criou em 1993 foi uma obra atemporal, urbana, cool, poderosamente dançante, hipnótica e capaz de derreter neurônios e fritar corpos na mesma velocidade com que se diz Dubnobasswithmyheadman.

Fábio Bridges
Fábio Bridges
www.pequenosclassicosperdidos.wordpress.com
comentários
3 comentários
Raul Cornejo
Raul Cornejo(17.09.10)
1AprovadoQueima
"Mmmm Skyscraper I Love" é a melhor ode à psicose q já ouvi. "I see eeeeeeeeelvis, I hear God talking!" e "Cowgirl" é simplesmente a melhor música q eles já fizeram.
Fábio Bridges
Fábio Bridges (17.09.10)
1AprovadoQueima
Valeu, man. E este disco realmente é fantástico :D
gui xavier
gui xavier(17.09.10)
1AprovadoQueima
Absolutamente fabuloso este álbum.

Definitivamente revirou a minha cabeça quando comprei, láá em 1995.

Excelente texto, cara. Tá perfeito pra entender o que esse álbum representa e apresenta.

Aplausos.