O The Creators Project, iniciativa da revista internacional Vice patrocinado pela superpotência dos chips de computador Intel, surgiu há alguns meses com uma ideia muito legal: colocar em contato gente criativa do mundo todo e excursionar por algumas cidades selecionadas mostrando coisas novas pra um público jovem.
O evento hospedado pela Galeria Baró, na Barra Funda, abriu as portas ao público ao meio-dia do último sábado (14). O espaço da galeria era ocupado por instalações e obras de artistas brasileiros e internacionais, como o tubo gigante de leds do designer Muti Randolph e as (poucas) fotografias do guitarrista do Yeah Yeah Yeahs Nick Zinner, e um grande palco onde mais tarde se apresentariam os convidados musicais da noite.
Tudo correu de forma tranquila durante o dia enquanto o evento estava aberto ao público, que pode acompanhar também palestras sobre assuntos criativos com gente como o respeitado fashion designer Jun Nakao e o internacionalmente reconhecido estúdio Lobo. Mas a verdade é que o todos queriam ver Mark Ronson. O evento não decolaria até a primeira aparição do produtor inglês, que chegou à entrevista coletiva com um chocante cabelo descolorido e calça skinny rosa.
Muito tranquilo, Mark encarnou bem o papel de porta-voz do evento. Elogiou a ideia de encorajar a criação de ambientes criativos, de onde podem surgir novas colaborações com artistas igualmente engajados. Segundo Ronson, a ideia é continuar em frente e "just keep doin' good shit.". Ao ser perguntado se participaria do novo álbum de Amy Winehouse, Mark saiu pela tangente derretendo-se em elogios à problemática inglesa. Enquanto isso, os criadores brasileiros sentados à mesa somente observavam o assedio ao produtor inglês.
O evento se dividiu em duas partes: a exposição aberta ao público até as 5 da tarde e a festa para os convidados dali até as 2 da manhã. Enquanto o público chegava, os Funhell DJs faziam um warm-up para uma noite que demoraria para esquentar. O DJ Zegon recebeu Daniel Ganjaman, Emicida e Kamau para um exercício que envolveria a criação de uma música em uma hora com a ajuda do público, que a essa altura já lotava o espaço da galeria mas ainda não estava pronto para tanta interação.
O rapper Emicida então voltou ao palco, mostrando uma boa desenvoltura e, para usar uma expressão bem adequada, representou no palco do Creators Project. Seu som de produções contidas e ênfase na rima casou muito melhor com a acústica do lugar do que a sonoridade cheia de melodias e percussão da banda americana Gang Gang Dance.
Por algum motivo, a equalização durante a apresentação dos nova-iorquinos estava oscilante. Em horas extremamente agudo, em outras abafado, o som parecia fraquinho e ecoava de forma irritante no alto pé direito do galpão da galeria. Enquanto isso, os convidados tinham problemas com filas aos banheiros e o vuco-vuco era grande.
Quando Mark Ronson subiu ao palco, o line-up já tinha um atraso considerável. Talvez por isso, Ronson tenha se apresentado por apenas 40 minutos. E talvez pela curta duração da apresentação, o inglês tenha se apegado aos hits. Ronson discotecava enquanto Amanda Warner (que está no clipe de "Bang Bang Bang", primeiro single do novo trabalho de Mark) cantava ao vivo e dava dinâmica à apresentação. Pena que durou tão pouco.
No balanço final, o Creators Project é uma ideia muito boa que teve alguns problemas estruturais e no formato da sua implementação. Fica a promessa para novas edições com ainda mais talento e criatividade e um formato que divida melhor a festa das exposições. Ficou claro que muita gente estava ali só para ver Mark Ronson. Assim, os criadores locais menos conhecidos terão tanto destaque quanto o cabelo escalafobético da estrela inglesa.