Produtor britânico diferencia-se no dubstep ao retomar as origens do garage. Levada soul pop também está no menu, assim como o bass mecânico
13.05.10 11:50
Qual o futuro do dubstep? É bobagem especular este tipo de coisa, até mesmo porque quem se propõe no "futuro" acaba soando incoerente. O gênero britânico está muito bem é no presente. E outro fato que se pode deduzir é que seus caminhos, no geral, vão mais de encontro ao mainstream e ao pop e não ao experimentalismo seco e cabeçudo de Planet Mu e afins.
Da visceralidade de Burial à versatilidade deep do Joy Orbison, indo para a farofada gorda e divertida de Rusko e afins, as possibilidades são muitas. E um produtor que está construindo uma identidade bem particular e muito forte é Wayne Goodlitt, ou melhor, o ROSKA.
Seu primeiro álbum é apresentado pela formalidade Rinse Presents Roska, colocando em cena o selo/rádio pirata Rinse.fm, famoso por seus podcasts online também. Como dito, Roska foge da sisudez do dubstep per se e, para soar diferente, acaba voltando às próprias origens do gênero - um paradoxo. Garage e house music dão o tom aqui, ao lado do bass linear e repetitivo, completados por uma urgência soul pop, bastante atraente. E é por aí que começamos a dar uma olhada nas 10 faixas desse disco.
"Love 2 Nite" e "Wonderful Day", independentemente de dubstep ou qualquer outra classificação, são os pontos altos. O desconhecido Jamie George canta em ambas, meloso e afetado, casando bem seu tom com o suingue afiado do step houseiro, garage pura. Não tem a frescura "soft" da house music no geral, mas se apropria do compasso de suas notas (caso de "Love 2 Nite"), e da contagem de beats e bases da música de Chicago.
A veia mais britânica se dá mais no tipo do beat, e não na construção da faixa: aquela percussão dura e seca, totalmente produzida por um laptop, é quem dá o rebolado. E o apelo do garage é sua versatilidade black, que nestas duas ótimas faixas tem um toque soul delicioso. Se Rusko vai trabalhar com Britney, Roska deveria produzir para Justin Timberlake faixas com uma levada dessas.
O primeiro porém ao álbum talvez seja uma empolgação de iniciante, um exagero ao colocar todas as músicas muito extensas. Tudo bem para as produções mais pop, mas a parte instrumental do Roska é bem rígida. Não precisava toda faixa ter no mínimo 5 minutos. "Tomorrow Is Today" tem quase 10! Uma exacerbação que só faz o ouvinte apertar o 'forward' depois de metade do tempo; um CD mixado resolveria tal problema.
ROSKA MARY ANNE HOBBS BBC RADIO1 MARCH 2010
TUNADÃO De qualquer modo, "Tomorrow is Today" remete à Afrika Bambaataa e ao techno de Detroit com seu BASS puro, assim, com caixa alta. Lembra muito aqueles antigos CDs de bass para carros da DM Records, que faziam sucesso por aqui encartados na revista AudioCar, lembra? (saiba mais aqui, aqui e aqui). Uma pena que o bass mecânico deu lugar ao hip hop bagacera e ao funk pancadão nos carros tunados de hoje em dia.
Roska consegue ainda que essas instrumentais tenham ritmo e bom-humor. "Squark" é tribal, quase uma macumba electrostep, com raios eletrocutados de 8-bit, sensacional. Para quem gosta de sons de Atari, vale lembrar que o ótimo produtor norueguês Bjørn Torske, já havia musicado em "Spelunker" os sons de River Raid num dub safado (ouça aqui). "Message" é a mais cavernosa, o beat 2step chegando de mansinho entre notas fáceis e o bass caminhando a passos de gigantes
Tá de Roska?
AS DIVAS Seguindo uma característica que transitou entre house, garage, jungle e drum'n'bass, o dubstep britânico adora cultivar suas divas. Com Roska não é diferente, e "Energy" traz a mina mais interessante da sua trupe. O synth tech-house e urbano que surge em "Energy" prepara o palco para Nikki cantar com seus falsetes, cacos e improvisos. Lembra a voz de Danielle Moore do Crazy P.
Em "I Need Love", Roska tenta fundir suas próprias características e mistura sua linha de bases rasteiras e insistentes com a voz de Anesha. Basicamente um clap infinito, com pentelhice amenizada pelo synth deep house e a voz da garota criando loops e efeitos. Aos poucos, ouvindo com atenção, você nota como o bass se desapega da rigidez e vai soltando fraseados de ritmo, cortejando Anesha, que uma hora deixa de ser efeito robótico e canta, humana e sexy.
Rinse Presents Roska pode soar tanto pentelho como a coisa mais classuda que o dubstep já pariu. Ao fim de suas 10 faixas, mesmo que você pule para a próxima track uma hora ou outra, acaba-se tendo a ideia de que é a segunda característica: sensual, e de alma pop pela repetição insistente, que acaba grudando suas bases e versos na cabeça.
Deste modo, Roska tem êxito em sua primeira tentativa de álbum autoral, ao misturar canções de dance music e faixas para as pistas. Reafirmando sua identidade, seu moniker "Roska" é repetido à exaustão em algumas faixas, tanto para marcar posição entre tantos nomes estranhos do dubstep, mas também para certificar o ouvinte que este som não é mistureba de referência, e sim o seu beat.
Confesso que fiquei meio decepcionado com este album...
Pela enxurrada de excelentes remixes que ele vinha produzindo (para citar meus favoritos: Four Tet, Baobinga & ID, Zed Bias e Martyn) e depois de ouvir o TWC EP achei o resultado apenas mediano qundo que comparado ao potencial do rapaz.
Ah, e tem outra alcunha por onde ele solta umas macumbeiras tb bem tortas: Uncle Bakongo. Vale a pena conferir.
@Felicio Marmitex bom, o "musica de planta" foi para o minimal mesmo, coisa que ele(titio Marky) tem tocado bastante: Subwave, Alix Perez, Sabre... deixa pra lá.
Voltando: gostei muito desse clima house! Mas Rusko, Caspa, Martyn(que tem uma pegada mais techno tb) são fantásticos! Preciso pesquisar um pouquinho mais, dubstep é beeem legal.
"Macumba electrostep".... hahah... genial Jade!!! Pqp... definiu bem demais o UK Funky da Rinse FM em si... haha! Muito legal ver essa nova geração colocando adubo no step, som que até o Marlky já chamou de "música de planta" em seu programa radiofônico! House music all night long!!!
Eu pago pau pros nomes desses nego do DUBSTEP:
CASPA, ROSKA, BENGA . .
Imagina só uma parceria do BENGA com o ROSKA.
BENGA & ROSKA ! HA UAH UH UAHUHA
Pela enxurrada de excelentes remixes que ele vinha produzindo (para citar meus favoritos: Four Tet, Baobinga & ID, Zed Bias e Martyn) e depois de ouvir o TWC EP achei o resultado apenas mediano qundo que comparado ao potencial do rapaz.
Ah, e tem outra alcunha por onde ele solta umas macumbeiras tb bem tortas: Uncle Bakongo. Vale a pena conferir.
Voltando: gostei muito desse clima house! Mas Rusko, Caspa, Martyn(que tem uma pegada mais techno tb) são fantásticos! Preciso pesquisar um pouquinho mais, dubstep é beeem legal.
Muito legal ver essa nova geração colocando adubo no step, som que até o Marlky já chamou de "música de planta" em seu programa radiofônico!
House music all night long!!!