Entre hits antigos e faixas novas, Moby faz um show memorável na cidade.
26.04.10 12:25
Existem alguns "medalhões" da música eletrônica que são sempre garantias de ótimos shows. Orbital, Fatboy Slim, Chemical Brothers e o Moby são artistas que a gente pode ver ao vivo sem pensar duas vezes. A nova turnê de Moby pelo país não foi diferente.
O produtor e multinstrumentista norte-americano entrou no palco com um atraso de 45 minutos, sendo recebido por um público cuja maioria era composta por pessoas já na faixa dos trinta anos pra cima. Apesar desta ser uma turnê de divulgação de seu último álbum (Wait For Me, de 2009), apenas três faixas dele são incluídas num setlist que privilegia seus principais hits, indo desde sua estreia como queridinho das raves ilegais inglesas até se tornar um produtor com dinheiro pra dar e vender.
O show começa já com duas novas, "Seated Night" e "Mistake", intercaladas por "Extreme Ways", de 2002. Desde o início, Moby dá mostras talento se revezando entre diversos instrumentos e deixando a música ficar em primeiro plano - não há qualquer efeito especial de iluminação ou telões com imagens mirabolantes no palco, apenas uma banda afiadíssima em total sintonia.
Depois de "In My Heart", o clima de balada se instaura de verdade com uma trinca de hits pra ninguém botar defeito. "Body Rock" dá início ao bailão ao lado do mega-clássico "Go!", que foi dedicado especialmente ao produtor e DJ Carlos Soul Slinger e à todos os profissionais que trabalham com música eletrônica no pais. Falante, Moby por diversas vezes se dirigiu à plateia, ensaiou alguns mosh pits, e parecia estar se divertindo muito.
Mas é a partir da música seguinte, "Why Does My Heart Feel So Bad?", que vemos a cantora jamaicana Joy Malcolm simplesmente roubando o resto do show inteiro com sua voz no limite do inacreditável. Diva por natureza e portando um respeitável cabelo black power, ela deixa todos de boca aberta. Outra boa surpresa é a tecladista que em dois momentos se desdobra como cantora e também mostra um belo serviço.
Outra faixa nova, a bela "Pale Horses" introduz mais um bloco formado apenas de grandes hits. "Porcelain" e "We Are All Made of Stars" mostram porque fizeram tanto sucesso nas rádios e pistas e o mesmo efeito é sentido mais tarde com "Disco Lies", que ficou ótima ao vivo, além de, é claro, "Lift Me Up", uma das mais pedidas pelo pessoal das primeiras filas.
O repertório do show abre espaço também para duas covers que, para quem conhece um pouco da história do músico, não soam nada fora de contexto. "Walk On The Wild Side" chega minimalista como deve ser, e seu refrão é cantado em coro pelo público. Já "Whole Lotta Love" do Led Zeppelin surge como um furacão, pesada, e já deixa todo mundo no ponto para a ótima "Feeling So Real".
Ainda em referência à seus anos mais underground, Moby fecha o show com a clássica "Feeling So Real", que fez a festa de muito clubber velho com suas batidas frenéticas do tempo em que a gente ainda dançava jungle. Como se isso fosse pouco, depois de se despedir, Moby ainda volta ao palco para uma pequena "performance" ao som da música "Thousand", que, com suas mil bpms, deixa o público em êxtase. Um grande show.
O show de abertura ficou a cargo do Copacabana Club, que subiu ao palco exatamente as 21h15 e tocou para uma plateia semi-apática de apenas alguns gatos pingados. O som da banda é divertido, festeiro, e reconhecível à quilómetros de distância, com ótimos hits e muito carisma. Talvez tivesse sido melhor se a banda abrisse logo antes do Moby, com a casa já mais cheia, mas ao invés disso os dois shows foram intercalados por uma dupla de DJs que mais parecia estar participando de um aula de discotecagem ao vivo - hits que ninguém mais aguenta ouvir ("D.A.N.C.E", "Walking On A Dream", etc), nenhum contato com o público, etc. Mas bem, foi melhor do que deixar o som ambiente do Credicard Hall tocando pagode. Depois de Moby, o Killer On The Dancefloor fechou bonito a noite, que aquela altura já passava da uma da manhã.
SET LIST - MOBY
Seated Night Extreme Ways Mistake In My Heart Bodyrock Go! Why Does My Heart Feel So Bad? Pale Horses Porcelain We Are All Made Of Stars Flower natural Blues Walk On The Wild Side (Lou Reed) Raining Again Disco Lies The Stars In This World Lift Me Up Honey Whole Lotta Love (Led Zepellin) Feeling So Real Thousand
Fui no show de Porto Alegre e estava curioso pra saber se o Moby ia disparar os samples dos vocais nas faixas do "Play", ou ia ser no gogó mesmo. Foi tudo no impressionante fole vocal da jamaicana. Showzaço. Deus te abençoe, Joy Malcolm.
me arrepio só de lembrar do show! é a segunda vez que assito e foi bem ótimo! iria mais uma vez, as músicas são clássicos já... e as novas já viraram hit também! apesar de que da primeira o povo estava bem mais animado! de qualquer forma valeu, mesmo com a organização péssima dos bares, a área de fumantes na chuva e por ter acabado a luz no lugar duas vezes... mesmo assim fui um dos que mais se divertiu por lá! ;)