Beyoncé no Morumbi (SP, 06/fev)
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ficha técnica
Nota: 4.1 / 5
Ano: 2010
Estilos: Pop, hip hop, R&B
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Beyoncé no Morumbi (SP, 06/fev)
No maior show de sua carreira, diva máxima da música negra americana celebra seu auge, seu corpo, seus hits e sua voz
08.02.10 11:45
O sábado paulistano estava tórrido, e a chuva só veio a cair pouco antes do show de abertura de Ivete Sangalo (não vimos, whatever). Dez da noite, céu estrelado e 60 mil pessoas se acotovelando num Morumbi lotado para receber a turnê "I am... Tour", da cantora pop/R&B/hip hop Beyoncé Knowles. Com palco simples (backdrop, PAs, banda e dançarinos), "Beyonça" alternou sua apresentação entre o deslumbre de ver talvez a negra mais lindas que a música pop já viu, e também uma voz convincente e versátil e os necessários chavões do pop em um espetáculo grandioso.

O show segue a tradicional estética de apresentações de black music: bandas pomposas, grupo de backing vocal (no caso, as The Mamas), desconstrução das músicas em pout-pourries, medleys e uma IMENSA autocelebração do artista e de todas suas influências (no caso, covers e homenagens a Michael Jackson).
"Diva"
"Déjà vu " e "Crazy in Love" chegam juntas no início; Beyoncé em sua pose de cavalona gostosa, o microfone na mão e a remissão ao princípio de sua carreira solo, com dois hitaços do disco Crazy in Love, de 2003.

Ela é a Tina Turner da nossa geração. Canta, pula, dança, canta, rebola, dança e bate o cabelo gigante. Embasbacada pelo Morumbi lotado, disse que era a "maior performance de minha história", com incontáveis "thank you Brazil" que seguiram até o fim do show. Carisma infindável, que foi aceito de coração por uma platéia deslumbrada por receber uma artista em seu ápice, tanto da carreira quanto da juventude e da beleza. Em duas horas de show não faltam hits e duetos cantados com o público: da rebolativa "Naugthy Girl" ao versinho to the left, to the left de "Irreplaceable", Beyoncé emendava sucessos com hits antigos dos tempos do Destiny's Child (pontos altos: "Bootylicious" e "Say my Name", num divertido contato com um fã bem animado - um tal de Samir).

Enquanto Madonna, que se apresentou no mesmo estádio, atua por atos bem determinados de sonoridades do seu palco grandioso, a estrutura montada para Beyoncé é mais simples, então a banda formada só por mulheres - a Suga Mama - ganha em espontaneidade e improviso. A baterista Nicky, uma negona nervosa, era empolgada e chegava a atuar demais com os batuques em algumas músicas, até atrapalhando (foi o caso em "Diva", hitaço gangsta que teve o melhor momento de figurino a la Lady Gaga e o bass nervoso, que tremia o queixo e o peito).



Nos momentos em que a protagonista deixava o palco para um respiro e trocas de roupas, a banda entrava em ação, exatamente como acontece no show de Prince, outro em que a banda também é composta só pela mulherada. Teve um rápido medley de guitarra com hits de Michael Jackson, e um ÓTIMO momento sensualité em que as backing vocals assumiram a frente do palco. Aliás, é interessante notar que nos (vários) momentos de playback, elas assumem um papel fundamental, provando que até mesmo nas faixas de estúdio sua participação é essencial na construção do espectro vocal nas canções de Beyoncé.

E para os puristas, o playback não atrapalhou. Claro que deixar uma canção inteira no backing vocal não é o ideal (caso de "Ego", se não me engano), mas a voz de Beyoncé é tão treinada e doce, tão similar a de seus discos que o público não tem do que reclamar. Nos indefectíveis momentos bregas, de baladinhas, a cantora encarou a capellas, e mostrou o jeito Mariah Carey de ser com "Ave Maria", canção que cai como uma luva ao público católico brasileiro, mostrando. Beyoncé vestida de noiva, como se andasse a caminho do altar. Mais do que metáfora, é uma autoreferência à própria carreira da jovem diva, que é mulher do fodidão do hip hop Jay-Z - papel que foi reproduzido também no filme Dreamgirls, onde Beyoncé interpretava uma Diana Ross submissa ao seu esposo magnata da música.

SINGLE LADIES: O PALCO É DELA
Depois de uma hora de show Beyoncé fica mais e mais a vontade. Intercala sucessos como "If I Were a Boy" (cantada em uníssono pelo estádio) e "Check On It" com rápidos covers de Donna Summer ("Love to Love you Baby"), Alanis Morissette ("You Oughta Know") e até a reggueira sensual de "You don't love me (no no no)", clássico discreto e seminal de Dawn Penn. O palco é da garota, não há espaço para nenhuma voz gravada ou vídeo de suas inúmeras parcerias (Lady Gaga na ótima "Video Phone" e nem Jay-Z, por exemplo). Aliás, ponto negativo para Beyoncé só dançando e não cantando "Video Phone", uma de suas músicais mais bacanas.

Ápice óbvio do show, o hitaço "Single Ladies (Put a Ring on It)" veio precedido de um divertido vídeo mostrando as inúmeras versões da coreografia feita YouTube afora (tem o gordinho sensual, crianças, a bicha estranha, até o presidente Obama!). Com a música de fundo, Beyoncé surge para tocar seu maior sucesso, numa versão ainda mais orquestrada em banda e com a coreografia não tão sensual como no vídeo, mas devidamente seguida à risca. Foi curioso ver dezenas de milhares de mãos para cima no Morumbi fazendo o movimento do anel no dedo, entregue à celebração máxima da música pop.


Vídeo de abertura de "Single Ladies" - Morumbi (SP)

Ela não queria deixar o palco. "Halo" veio na sequência tocada em quase 10 minutos, e Beyonça ainda puxou parabéns para os aniversariantes, agradeceu mais ao público brasileiro enquanto cantava sem parar, alcançando a oitava nota e se debatendo com o cabelão no chão e lamuriando "Braziiil, BRAAAZIL, BRAZIL!". Exagerado, cafona e engraçado. Mas com tanto carisma e deslumbre de ver uma garota chegar ao ápice que o público só pode aplaudir e ficar embasbacado, como este que escreve.

"Eu não sabia que tinha tantos fãs por aqui", ela disse, ingênua, sem saber que o recente disco "I am... Sasha Fierce" vendeu 250 mil cópias, disco pra caramba num país que celebra justamente Ivete e afins. E vai vender mais, porque foi um show que você sai querendo ouvir Beyoncé por dias e dias.

Foto: Carol Mendonça

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
15 comentários
Raffael Rocha
Raffael Rocha(18.02.10)
1AprovadoQueima
Beyonce é incrível, não reconhecer isso é muita falta de discernimento
Kuba Stepp
Kuba Stepp(16.02.10)
0AprovadoQueima
Sinceramente, eu acho muito estranho o RRAURL fazer a cobertura de um show como o da Beyoncé. Acho que perdeu o foco. O site sempre levantou a bandeira do underground (usou muito a assintura Stay in the Underground. Spread the word). e agora abraça o POP como qualquer outro portal, só que com uma linguagem mais "cool." Quero ver o "novo" aqui no site, e não o óbvio.
Fico triste em ver essa perda de foco num dos canais mais bacanas de música que temos no Brasil.
Nada contra o POP, só acho que o RRAURL é melhor que isso.
Thiago V. R. Cunha
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Sinceramente não sei onde vc viu preconceito no que eu disse. Recorrer a ele é sempre um argumento muito fácil. Preconceito seria dizer que música POP é ruim e ponto final. Preste bem atençao, nao foi isso que eu disse. A musica de Beyoncé é ruim, nao por ser pop, mas sim por ser chata e vazia.
Jade Augusto Gola
@Thiago V. R. Cunha

A cegueira anti-pop é tão descerebrada quanto esse seu comentário preconceituoso.
Thiago V. R. Cunha
-1AprovadoQueima
Foi-se o tempo em que aqui se discutia boa música. Por mais que faça parte do cenário pop mundial, Beyoncé é hipócrita . Ela conhece música boa, mas as suas próprias, apenas embalam uma multidão descerebrada. Nesso ponto de pura inteligência comercial eu a admiro e muito. A música de beyoncé não tem arte e só cumpre ao que se presta, movimentar dólares!