Para quem andava cansado dos lançamentos das séries Fabric,
Elevator Music Vol. 1 chega em ótimo momento. Focado em artistas emergentes da cena britânica, o primeiro volume da coletânea lançada pelo selo/clube inglês é um documento dessa nova cena houseira saída de Londres - house envenenada pelos timbres entorpecentes e baixos roliços do dubstep.
Apesar de o disco não ser mixado, suas músicas são festeiras, e enchem qualquer ouvido de frescor. Quem nunca ouviu falar de projetos como Hot City, Shortstuff ou Skinnz tem aqui uma boa oportunidade de conhecê-los. A experiência é estimulante: bumbos galopantes, nenhum conceito pretensioso e linhas de baixo capazes de trincar fêmures destreinados.
Em todas essas músicas, os vocais se resumem a palavras soltas ou onomatopéias, fruto de sampling frenético. São trechos curtos demais, que só adicionam balanço e reforçam a sensação de que o importante é
não entender nada do que está acontecendo ou sendo dito; basta se concentrar no movimento.
Seguem sugestões com algumas das melhores: "If's That How I Feel", do Hot City, recepciona com grooves recheados, capazes de impulsioná-la ao caminho de hit nas pistas. Linhas repetitivas de um teclado à la Inner City, bateria dançante, vocais picotados de alguma diva esquecida... Não poderia ser melhor em termos de estímulo-motor-pélvico.
Teaser de Elevator Music Vol. 1"Sing With Us", do XXXY, se aproveita de synths com timbres similares aos que Andy Butler usou tão bem em "You Belong", de seu Hercules & Love Affair. Mas, apesar de haver aqui sensualidade, ela se apaga diante da saraivada de bateria e teclados ácidos.
A referência ao dubstep, que tem na própria house suas raízes perdidas, desponta por todo lado. Na viajante "One of the Same", de Caspa & Rusko, ou na incrível "Behave", do produtor-promessa Shortstuff, a bass culture britânica se exibe. E o faz sacudindo qualquer conjunto ósseo que se colocar no caminho de suas ondas de baixa freqüência.
Que não seja cometida nenhuma injustiça: a lista de músicas boas é extensa demais para descrever todas com adjetivos, metáforas ou pirações textuais. Não deixe de ouvir "Elixir", de Elixir, "Pistol in Your Pocket", de Hackman, "The Moth", de Julio Bashmore... E se possível, faça-o em frente a um sistema que não caiba em seu quarto.
Só pedrada!