Laurent Garnier - Tales of a Kleptomaniac
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ficha técnica
Nota: 4.3 / 5
Ano: 2009
Selo: PIAS Recordings
Estilos: Techno, jazz, afro, grime, dubstep
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Laurent Garnier - Tales of a Kleptomaniac
O mestre francês enfrenta a mediocridade do tempo com música, críticas pontuais e a busca pela identidade orgânica
03.06.09 14:55
O homem está afiado. E bocudo. Laurent Garnier lançou seu quinto álbum mês passado disparando contra tudo e todos em nome da música. As críticas foram para a cena eletrônica em geral ("Hoje em dia o que é importa é o que você é, com quem você anda"), e até para a Inglaterra, terra que fundamentou sua carreira musical durante sua residência na Manchester ácida dos anos 80 ("O país está se tornando muito superficial musicalmente, definitivamente não é lugar que aceita experimentos, caso de Alemanha, França e Bélgica").

LG retorna vociferando com revolta - e certa prepotência francesa, digna de quem não se acomodou na resignação e, mais do que as meras palavras, expele a inconformidade com música instintiva, orgânica e pessoal. Grandiosa mesmo, que muitos podem até não assimilar (e não há juízo de valor nisso).

Tales of a Kleptomaniac apresenta um Laurent maduro, longe de pistas esfumaçadas e perto da companhia de músicos amigos e de muito vinho rosé do ensolarado sul francês, terra que originou as onze faixas centrais do álbum, 17 canções extras e um CD-mix explicando estas origens cleptomaníacas (de afrobeat a Guy Gerber - veja tracklist). O eixo deste trabalho é permeado por seu conhecido techno de notas extensas e de clima soturno, que se fundem perfeitamente com as influências de jazz, dubstep, grime, rap francês, de dub e de música africana. "Gnanmankoudji", primeira faixa a ser divulgada, resume bem sem gênero definido todas essas nuances, e também exprimem bases musicais de LG (caso do jazz) e seus gostos atuais. Ouça.

Flash Content
Laurent Garnier - Gnanmankoudji (Horny Monster Mix) (mp3)

Se "Gnanmankoudji" é a essência do disco, "Freeverse (Part 1)" é o ápice da musicalidade orgânica que Laurent tanto exibe hoje. O MC MicFlow canta em versos de malandro rap enquanto Laurent cria scratchs, sobre sinos da Indochina, e músicos completam o circo com bateria, baixo, guitarra e um duelo entre sax e trompete. Em festa de lançamento do álbum em Paris, semana passada, deu para sentir no palco toda essa sintonia. Não deixe de notar a alegria do homem.


Laurent Garnier Live @ Paris, Bataclan - 28.05.2009 - Freeverse (Part 1)


Justificando seu posicionamento orgânico, segue a declaração primordial sobre música que Laurent deu na mesma entrevista da crítica aos ingleses. "A primeira coisa sobre a música deveria ser sempre a música. Música para mim é algo essencial, você goste ou não. É por isso que eu lanço tão diferentes estilos de música". Analisando os beats, dá para perceber tanto no techno e na pegada grimy de seu rap o grave motorizado comum à eterna lembrança 4x4 da música de LG - aqueles arpejos elétricos e clima pós-trance crescente da inesquecível "The Man With the Red Face". Caso de "Desirless", que tem uma raiva tribal e viva, mas é futurística, metálica.

O disco é bom porque Laurent consegue apontar novos rumos de sua música (sua pretensão não chega a falar em nome de toda a música eletrônica; ele quer fugir deste mundo), ao mesmo tempo que destila uma irresistível sensação back to my roots de referências e escolhas. "Bourre Pif" é um duelo entre a velocidade drum'n'bass e um trompete estridente e nervoso, uma boa-nova para quem mal pode esperar pela apresentação em SP do francês e de Marky no encerramento do ano da França no Brasil (infos em breve). "Food for Thought" é uma aula de como o dub é atemporal e grandioso, com sintetizadores em harmonia opiácea com a levada jamaicana. E encerrando mais uma bela obra autoral, "From Deep Within", a melhor faixa do disco.

JAZZSTEP
"From Deep Within" é exemplo do que falei acima sobre Laurent apontar novos caminhos. Na faixa, uma releitura sensual de Miles Davis (em específico o álbum Bitches Brew, gravados há exatos 40 anos), com a levada low-fi do jazz injetados em bass decodificado do tech-dubstep de produtores como Martyn (LG é fã declarado), tudo costurado lá ao fundo com bongôs africanos, percussão e chocalhos de samba que vão crescendo magnânimas até serem acalmadas pelo preguiçoso saxofone em meia nota, exatamente como Miles fazia.

O novo e o velho, o hermetismo de canções bem construídas desmistificado na sensualidade negra e tribal, provas de como Laurent está mais perto da Nigéria, da América do Sul e da Jamaica do que de branquelos ingleses do techno. Um caminho étnico, musical e orgânico, mas também de dançante alma eletrônica, como não poderia deixar de ser.
MP3
Flash Content
Laurent Garnier - Desireless (mp3)

Flash Content
Laurent Garnier - Bourre Pif (Avant Bath Time) (mp3)

Flash Content
Laurent Garnier - Food For Thought W/ Winston Mcanuff (mp3)

Flash Content
Laurent Garnier - From Deep Within (mp3)


Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
7 comentários
Michelle Fresteiro
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Ah, Jade! E parabéns pelo belíssimo texto!
Michelle Fresteiro
0AprovadoQueima
Claro, Garnier já teve seu ápice, mas para mim ele continua genial. Ele arrisca na transformação de sua música, e, embora não tenha sido possível até então superar a si mesmo, os caminhos por onde vai se enveradando são igualmente ricos e dignos. Além disso, ele não poderia seguir fazendo a mesma coisa que fazia há 10 anos atrás ou mais.Muita criativida e muito amor à música são ingredientes que andam escassos em grandes produções que a gente vê por aí, por isso Laurent Garnier é Laurent Garnier, como a NeWMaris comentou...
Rodrigo Giane
Rodrigo Giane(04.06.09)
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Tb nao curti este album. Pra mim só a Gnanmankoudji mesmo.
Gaía Passarelli
@João Alberto Freitas doi dizer isso e tenho um respeito pelo garnier que não tenho por nehum outro dj, mas depois do cloud making e desse tales of, concordo com você. quem sabe o disco vais er capaz de me conquistar com o tempo (o cloud making não convenceu até hoje).
Acho cabeçante e muito CHATO. Hermetismo tipo psicótico desde The Cloud Making Machine.
Bom é ouvir o LG dos 90's q fez história. É isso. : P