Quem é Fever Ray?
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ficha técnica
Nota: 4.1 / 5
Ano: 2009
Selo: Rabid Records
Estilos: Synth-pop, ambient, The Knife
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Quem é Fever Ray?
Uma viagem pela obscura arte confessional de Karin Dreijer, a vocalista do The Knife
10.03.09 10:55
Fever Ray, álbum de estreia do projeto homônimo de Karin Dreijer, é um quebra-cabeça de dez peças. E a charada que estimula o ouvinte a conectar cada um dos pedaços gira em torno da pergunta: quem é Fever Ray?

Somos apresentados a uma criatura sem gênero bem definido; um ser fantástico com vida e história próprias. Talvez seja uma sombra de Dreijer; espírito selvagem de cores folclóricas que vive em contos sussurrados no ouvido de uma criança assustada. Mas, a despeito de toda montagem cênica, Fever Ray também soa pessoal. Suas letras são declamadas em tom de confissão, como se este alter-ego exprimisse segredos compartilhados com a cantora. Declarações de amor e desilusão abafadas por fumaça eletrônica.



Este é um disco de estúdio e, por sua introspecção, precisa ser ouvido com cuidado. Não há melodias épicas ou rufares de tambores. A energia de instrumentos tocados por músicos de carne e osso também está ausente. Os arranjos emergem de intrincadas combinações de texturas, notas de teclados e efeitos de eco. Tudo se combina de maneira delicada, como num fractal sonoro de infinitas ramificações.

Mas, apesar do trabalho esmerado de composição, as bases servem apenas de moldura para o grande destaque do álbum: as confissões. Tome por exemplo a primeira faixa, "If I Had a Heart". Não há nada ali além de um ronco suspenso fazendo ziguezague infinitamente. Mas a pronúncia metalizada de cada um dos versos - cantados sob o peso do apocalipse - acende o desejo de voltar a ouvir a música outras vezes.

A todo o momento somos torturados pela dúvida: ter pena de uma criatura que não pode sequer amar (e em certa altura confessa desejar tocar o chão), ou suspeitar dela? Sem aviso, os versos infantis se tornam atos de uma missa macabra: "This will never end / Cause I want more / More, give me more / Give me more".


Fever Ray - When I Grow Up

Conforme as músicas terminam, os pedaços do quebra-cabeça se conectam e tornam mais clara a dimensão psicológica de Fever Ray. Conhecemos os becos sentimentais de uma criatura desejosa pela vida adulta e que passa seus dias aprisionada entre paredes imaginárias. As letras revelam as múltiplas facetas da personagem confusa e fascinante criada por Karin. Desde a nostalgia pueril de "When I Grow Up", passando pela solene melancolia de "Concrete Walls" até a auto piedade da já citada "If I Had a Heart".
Karin Dreijer
Karin Dreijer
Por fim, sobre os uivos de uma ave de rapina, a despedida vem com "Coconut" - talvez a menos emocional entre as faixas do álbum.

Apesar de toda a vontade de expiar seus segredos, este é também um disco de profunda introspecção, como já foi dito. O clima de isolamento contamina os arranjos instrumentais, que podem parecer repetitivos ou estéreis demais se não examinados de perto. A impressão é de que, apesar de ter concordado em exibir seu demônio particular, Karin Dreijer o fez da maneira mais hermética e discreta possível. Para que o ouvinte não note, talvez, que há o coração de uma mulher adulta batendo por trás do simulacro gelado que ela batizou de Fever Ray.
MP3
Flash Content
Fever Ray - If I Had A Heart (mp3)

Flash Content
Fever Ray - Dry And Dusty (mp3)

Flash Content
Fever Ray - Concrete Walls (mp3)

Flash Content
Fever Ray - Coconut (mp3)


Marcus Vinícius Brasil
Marcus Vinícius Brasil
twitter.com/marcvs
comentários
17 comentários
Gilson B
Gilson B(23.08.11)
0AprovadoQueima
Num comentario bem tardio. A principio me causou certa estranheza, tanto q ficou no meu mp3 uns quatro meses para ouvi-lo de fato. Por mais q eu tente não consigo fugir desse album. Se não pelas batidas, a voz de Karin ou a propria atmosfera do album acabam me segurando. "I'm Not Done" esta me tocando neste exato momento.
Alexandre Torres
2AprovadoQueima
Não tenho como explicar como me sinto ouvindo esse album! Sem dúvidas um dos melhores desse ano!
Valquírio
Valquírio(06.04.09)
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Certamente vai estar entre os 10 mais de 2009. Na minha visão, até agora só perde pro disco do Animal Collective.
O Gibran citou minhas favoritas... hipnóticas, difícil não se apaixonar.

P.S.: Ótima crítica. É na simplicidade/minimalismo que está um dos trunfos desse disco. A complexidade não é condição sine qua non pra se fazer uma obra de arte, e esse disco mostra claramente isso.
Rafffael_Kniven
Rafffael_Kniven(22.03.09)
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Hooo Maurício se vc conhece mais artistas como esse ''caboclo'' apresente-nos, estou ávido por mais material como esse... xD
Maurício
Maurício(20.03.09)
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namorei uma gótica uns anos atrás e ela trazia toda semana um novo CD de uma banda do noroeste do kazaquistão igualzinho ao som desse caboclo ai. nada de novo. passo.