Antes de novo disco, Gui Boratto lança boa compilação por selo de Marc Romboy; Andrew Weatherall ressurge nas pistas de techno; e loja/selo Rough Trade resume 2008
Nossa segunda resenha de coletâneas do ano tem dois releases de 2008 e um agora do começo do ano. Mas as três se não apontam tendências, pelo menos apontam para direções e momentos dos artistas listados.
Tem Gui Boratto em uma bacana compilação para o selo do alemão Marc Romboy, dois nomes em ascensão no 4x4 para este ano; Andrew Weatherall deixa as obscuridades de lado e volta para às pistas, promovendo o techno. E por fim, a loja/selo Rough Trade faz uma retrospectivas com hits, diferentes versões de músicas que marcaram os últimos meses e boas novidades para este ano que começa bem musicalmente. Segue!
GUI BORATTOMy Love Is Systematic Volume 1SYSTEMATICNota: 3.8Início de ano é sempre a mesma coisa, todos passam por um momento de reflexão, análise e retrospectiva do ano anterior. Uma espécie de avaliação para o ano vindouro, um crescimento. Isso dito, o mesmo ocorre com alguns selos que nos entregam compilações das mais distintas sobre uma vertente musical, um gênero/sub-gênero ou seus lançamentos até o presente momento - um verdadeiro teaser para futuras adições. Assim foi com a compilação do selo Systematic Recordings, do alemão Marc Romboy, que chamou ninguém menos que ele, o "garoto maravilha" do Brasil para compilar as faixas: Gui Boratto,
que lança álbum novo em breve.
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Robert Babicz - Sin [Gui Boratto Remix] (mp3)
Marc Romboy é alemão de uma cidade de nome difícil, Mönchengladbach, porém de uma inquietação produtiva. Em 2004 funda seu segundo selo, Systematic, que mostrou ter fôlego de sobra com bons nomes nos releases: John Dahlbäck, Stephan Bodzin, Robert Babicz e Boratto. Se ambos em separado não param de produzir, imagine-os juntos?
Robert Babicz e "Sin (Gui Boratto Remix)" abre o álbum em um tom de alegre expectativa, meio que retirando um pouco do sabor dark da faixa. Sua maestria está nos breaks oníricos e etéreos nos fazendo aguardar não somente a linha de synth sempre melódica, mas a construção das batidas em si. Outra faixa que salta aos ouvidos é "Karambolage (Martin Eyerer Remix)", retirada do segundo álbum de Romboy,
Contrast, lançado em 2008. A versão de
Martin Eyerer ficou menos dark e viajante, mas tão dançante quanto, já que ganhou um rebolado bem house. Não menos interessante que a original.
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Marc Romboy - Karambolage [Martin Eyerer Remix] (mp3)
Seja como moderador ou como "salva-vidas" da noite, a compilação de Gui Boratto é uma boa medida do que funciona e pode funcionar nas pistas. É um disco para se ouvir também com o coração e ouvidos bem abertos, já que apesar dos lançamentos sua função é resgatar preciosidades do selo, essa máquina "hiteira" de Romboy. Na velocidade em que informações são "compiladas" e esquecidas, muitos hits ficariam perdidos nas estantes do tempo, caso de "It Feels So Good" de John Dahlbäck, - acid house poderoso lançado em 2005, um "must have" de qualquer aficionado; e também de "Jigsaw", de Romboy. Há dois anos era só sair à noite para ouvi-las em sets clubelândia afora.
(Catarina Liarth)Flash Content
Marc Romboy - Jigsaw (mp3)
Andrew Weatherall Vs The BoardroomROTTERS GOLF CLUBNota: 4.5O veterano rocker está de volta ao techno em alto estilo! Depois de releases pouco inspirados do 2 Lone Swordsmen com o parceiro Keith Tenniswood, e uma surpreendente
compilação de trashabilly obscuro,
Andrew Weatherall juntou-se com a banca de produtores que ronda os estúdios conhecidos como The Boardroom e o resultado foi um troca-troca de remixes que renderam essa coletânea de techno atemporal, que não segue tendências e nem perde o foco da pista.
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2Lone Swordsmen - Patient Saints (Dave Congreve Boardroom Re-Mix) (mp3)
São todos velhos conhecidos e isso se reflete na intimidade que cada um mostra com as faixas dos outros. O estúdio Boardroom é do próprio engenheiro de som de Weatherall, Steve Boardman, com quem divide o mesmo espaço que sedia o seu selo Rotters Golf Club; Dave Congreve já excursionou com Andrew como DJ numa tour do 2 Lone Swordsmen; Radikal Majik é Rad Rice, velho truta de Andrew desde a época da acid house, que produziu dezenas de faixas desde 92.
O único nome novo nessa panela é o de E.S.C. que colabora com uma das melhores faixas - The Legacy, technão lento, rítmico e bem dark. O remix de Weatherall mantém a cadência original, mas transforma a faixa num techno-rock, com guitarras cheias de delay que lembram o The Clash brincando com dub nos anos 80, além de incluir um tema novo que reforça o caráter quase melancólico da música. E.S.C retribui com uma releitura de Shack 54, do Two Lone Swordsmen com batidas da época do balearic beat, mas com timbres atualizados. A dupla também teve "Patient Saints" remixada por Dave Congreve, que manteve os vocais próximos dos originais, mas com uma bela cobertura de camadas de efeitos e sons novos.
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E.S.C. - The Legacy (mp3)
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E.S.C. - The Legacy (Weatherall Remix) (mp3)
Com toda essa história entre os envolvidos não tinha como a química não funcionar, e essa compilação acaba soando mais como um bom álbum autoral, mesmo sem se prender a qualquer tipo de regra. Uma faixa pode começar tangenciando o minimal e se tornar mais rítmica, como "Thru the Chicken Robot Shed" (Le Sarge En Board), ou soar como um acid funk nas mãos de quem é "da época", como em Spread the Hot Potato (Radical Majik). Essa aparente mistura de estilos nada mais é a própria estética " The Boardroom": despretensiosa e rica em influências.
(Niki Nixon)
Rough Trade Counter Culture 08COUNTER CULTURE RECORDSNota: 4.5Se você com frequência se pergunta como a lista da Pitchfork soaria sem todas as inserções irônicas, compre a coletânea
Rough Trade Counter Culture 08. Esta compilação dupla é o melhor lançamento oficial para quem passou completamente batido pela cena indie de 2008 - e por um pouco do segundo semestre de 07. Do folk sonhador de Fleet Foxes, Bon Iver e The Low Anthem, passando pela Tropicália ainda mais experimental do
El Guincho (com versão em inglês de "Palmitos Park"), ao shoegazer envolvente do Atlas Sound (alcunha do
Deerhunter). O CD revive o grunge com as Vivian Girls, emerge o perfect pop na sujeira do garage com o Crystal Stilts até alcancar as experimentaçõs eletronicas de Zombie Zombie e Telephate.
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Atlas Sound - Recent Bedroom (mp3)
Tem as divas boca-suja do
Yo Majesty correndo com o club rap até o desafinar de guitarras do HEALTH, banda que utiliza as baterias de forma perigosa. O dubstep tribal de 2562 abre a vez para os aos celebrados experimentos de Flying Lotus e sua inacreditável "GNG BNG"), que desembocam no electro de
ZZT.
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Flying Lotus - GNG BNG (mp3)
Isso só para dar destaque aos nomes conhecidos, pois além de celebrar o surgimento das novidades de 2008, o CD entrelaça tais faixas com futuros nomes do mercado independente. Muito além do indie como movimento musical, mas sim como uma união de gêneros pouco ativos na indústria, que se mostra tão auto-suficiente e interdisciplinar mesmo apostando em gêneros dados como mortos. Esta coletânea até se propõe educacional, mas acima de tudo é puro entrenimento artistico.
(Raphael Caffarena)Flash Content
Fleet Foxes - White Winter Hymnal (mp3)