Au Revoir Simone - The Bird of Music
Trio de garotas resolve disco melancólico só com teclados
12.07.07 10:45
Aos que tiveram a impressão de que Au Revoir Simone tinha alguma coisa que ver com Nina Simone, um aviso: se afastem de The Bird of Music. O segundo álbum do trio formado por Erika Forster, Heather D'Angelo e Annie Hart tem mais em comum com campos floridos do que com whisky e cabarés. As três são de Williamsburg, um bairro do Brooklyn nova-iorquino com cadência hippie e que é um dos pólos atuais da cultura alternativa local. Por isso é verdade quando dizem que se reuniam em casa com seus teclados e o projeto nasceu sem pretensão. Com o mesmo desprendimento escolheram o nome da banda, retirado do filme As Grandes Aventuras de Pee-Wee Herman (1985), de Tim Burton.
Se o primeiro álbum chamou atenção do Talking Head David Byrne e emplacou duas músicas no seriado Grey's Anatomy (vencedor do Globo de Ouro 2007), o segundo tem fãs ainda mais prestigiados. Elas tocaram para David Lynch, que as convidou para tomar um drinque em Paris, e excursionam frequentemente com os grupos Peter, Bjorn & John e Fujiya & Miyagi. Em maio deste ano ganharam matéria na revista norte-americana XLR8R.
Por todas essas referências é importante escutar The Bird of Music, um álbum delicado e melódico. Tudo a ver com "Sugar Me" da inglesa Lynsey de Paul, que estourou no Reino Unido na década de 70. A diferença está no piano que se transmutou nos teclados do Au Revoir Simone. As três cantam e usam uma mínima quantidade de instrumentos de percussão: pandeiros, meia-lua ou sinos de dedo. Sintetizadores aparecem em bases gravadas, mas o tempo inteiro não tiram as mãos dos teclados.
É com a tranquilidade de "The Luck One" que o disco começa. O refrão açucarado "let the sun shine" vai embalado como canção de ninar. A faixa "Sad Song" lembra a banda Lali Puna. "Fallen Snow" e "I Couldn't Sleep", românticas, dizem respeito ao mesmo namoro que terminou. A quinta música "A Violet Yet Flammable World" tem algo da bateria de "Be My Baby", clássico de 1963.
A sexta faixa "Don't See the Sorrow" é a mais fraca, mas "Dark Halls" é música para show, como "Night Majestic" e "Stars", que têm mais balanço.
O final com "Lark" e "The Way to There" (a música mais comprida: 6min49) é melancólico. Justamente a impressão que passa cada música deste bem amarrado disco. Não à toa, já foi escrito numa comparação que Au Revoir Simone poderia ter feito a trilha de As Virgens Suicidas, se o Air não tivesse realizado tão bom trabalho.
Ou seja: totalmente excelente.
;)
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