O Festival Novas Frequências vem se unir ao agitado calendário de shows internacionais no sudeste brasileiro. Mas ele tem algumas diferenças cruciais, a começar pela localização (Rio de Janeiro), preço do ingresso (módicos R$15,00), duração (cinco dias a partir de 07/12) e curadoria musical.
Essa fica à cargo do produtor cultural carioca Chico Dub, que escalou o projeto norte-americano Sun Araw (07/12, leia aqui entrevista), o mexicano Murcof (08/12), o inglês Andy Stott (09/12), o também norte-americano Com Truise (10/12) e os brasileiro Pazes e Psilosamples (11/12) para tocar no espaço Oi Futuro Ipanema.
A intenção do Novas Frequências é colocar no vocabulário do público termos como drone, hypnagogic pop, chill wave e IDM enquanto traça um panorama do que foi feito de mais legal no ano em matéria de música criada em computadores e sintetizadores. O cardápio se baseia em artistas que estão ligados de alguma forma ao que acontece de mais arriscado, moderno e ainda assim audível e emocionante. "O risco é mínimo porque é um nicho; não tem ninguém fazendo", justifica Chico, que assina lineup e produção do Novas Frequências. A escolha do último mês do ano também é pensada, com a intenção de mostrar o que foi feito de melhor e mais relevante dentro da música de caráter experimental e vanguardista.
O norte-americano Com Truise, por exemplo, que se apresenta no sábado, foi um dos nomes mais lembrados ao longo de 2011. Seu álbum Fairlight, lançado pela Ghostly é ao mesmo tempo lo-fi e atual, com boas doses de romantismo-80s. Suas incursões por outras plataformas artísticas - videoclipes ultra-gráficos, design de suas capas e posters - também chamam a atenção.
O que conecta cada artista são paisagens sonoras de climas etéreos, sombrios, transcendentais e com pouco ou nenhum compromisso com rótulos e com fazer dançar. "Em todos os lugares do mundo tem gente se desafiando e propondo novas alternativas e novos formatos ao mainstream musical", diz Chico.
Os brasileiros do lineup entraram por causa de uma alteração: problemas com o visto de trabalho de Mark McGuire levaram ao cancelamento de sua apresentação, no domingo. Sem ufanismo, dá pra dizer com sinceridade que o público saiu ganhando com a troca. Pazes é alcunha de Lucas Febraro, de Brasília e se inspira nas batidas lentas e quebradas de Flying Lotus e a turma do beat de Los Angeles. Já Zé Rolê, o mineiro de Pouso Alegre que assina como Psilosamples, emula as desconstruções típicas de Kieran Hebden, o Four Tet enquanto usa de Jorge Ben à música folclórica como base - já foi destaque aqui no rraurl, leia entrevista.
O Novas Frequências tem moral para se tornar fixo no calendário de eventos de fim de ano. "O plano é fazer do Novas Frequências um evento anual, sempre em dezembro, época dos balanços dos melhores do ano. Já tenho a edição 2012 aprovada na Lei Estadual de Incentivo a Cultura do Estado do Rio de Janeiro".
Festival Novas Frequências 1º edição De 07 a 11 de dezembro 2011 Oi Futuro Ipanema
07/12 - Sun Araw (Eua) 08/12 - Murcof (México) 09/12 - Andy Stott (Inglaterra) 10/12 - Com Truise (Eua) 11/12 - Pazes (Brasília, Brasil) e Psilosamples (Minas Gerais, Brasil)