Entrevista: Psilosamples
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Entrevista: Psilosamples
Produtor mineiro revelação de 2011 está prestes a lançar primeiro LP e falou com o rraurl a respeito.
16.11.11 12:20
IDM roceiro made in Minas Gerais. Só essa grande tagline seria o suficiente para chamar a atenção de quem gosta de boa música. Mas o produtor mineiro Zé Rolê, que assina suas produções sob o codinome Psilosamples, vem fazendo muito mais do que gerando taglines de impacto. Zé vem produzindo consistentemente uma mistura quase ingênua de batidas eletrônicas quebradas e flutuantes, que entram e saem de fase como nuvens, samples resgatados dos lugares mais incomuns (de Maria Gadú ao Jornal Nacional), melodias leves como ambrosia ou azedas como laranja lima, com resultados sempre curiosos.

O Psilosamples já teve algumas apresentações marcantes pelas "cidades grandes", como na festa realizada pela Voodoohop na Virada Cultural deste ano e na abertura do Mês da Cultura Independente do CCJ. Ao mesmo tempo, Zé gravava seu primeiro LP. O disco está pronto e será lançado "até o final deste ano ou início do ano que vem". O álbum já tem nome, Mental Surf, e será lançado simultaneamente no Brasil e no Japão. No Brasil, o disco sai pela Desmonta, que já lançou M. Takara, Kiko Dinucci, entre outros. No Japão, o disco sai pelo selo Octave/Ultravibe Records, que lançou na Terra do Sol Nascente discos de gente como Cut Chemist, Madlib, Onra, Burial, e muita gente competente.

Falamos com Zé sobre o disco, a vida bucólica e plantas enteogênicas. Dê uma conferida abaixo no que o Psilosamples tem a dizer:


Conta mais pra gente como foi o processo de gravação do disco...

Eu fiz tudo em com um laptop e um desktop. Usei dois controladores midi e gravei minha própria voz e sons com um microfone de R$ 1,99, daqueles levinhos de baixa impedância para não gerar ruído e liguei direto na entrada de linha do computador. Usei uns três a quatro softwares para produzir tudo. Depois o disco foi encaminhado para São Paulo para ser masterizado no Estúdio El Rocha pelo Fernando Sanches. Eu já conhecia um pouco do trabalho dele. Fiquei muito feliz com tudo isso. As novas produções tem ficado melhores devido a introdução dos hardwares profissionais. Nada disso aconteceria se não fosse pelo Luciano Valério (Desmonta Discos) que foi o primeiro cara que me chamou para trabalhar sério e começou a agenciar um monte de trabalhos legais pra mim, dentro e fora de São Paulo.

Olhando para os nomes das faixas no tracklist do disco, me parece que "mental surf" é uma grande homenagem às sua origens....

Eu não sei onde eu estava com a cabeça quando pensei nesse nome para um disco. Acho que esses temas escapam de forma natural. Não sei muito bem o que dizer sobre isso, mas no fundo deve ter vários significados, igual tatuagem de menina colegial.



Um dos primeiros núcleos artísticos que te projetou aqui em São Paulo foi o Voodoohop. Como foi o primeiro contato com eles? O que você tirou de melhor dessa relação com o pessoal da Voodoohop?

O Thomas Haferlach me enviou um e-mail uma vez me convidando para me apresentar em uma Voodoohop em off que acontecia no prédio da Trackers em paralelo com a Virada Cultural. Quando cheguei no prédio do techno as pistas de dança estavam lotadas e o Camilo Rocha estava discotecando. Eu pensei em ir embora porque eu não conseguia imaginar minhas musicas ali. Quando comecei a tocar percebi que eu estava enganado e tive uma boa recepção. Depois disso já toquei por lá muitas vezes e vou continuar tocando sempre que me convidarem. Os organizadores tem um carinho e respeito muito grande pela cultura brasileira que eu nunca vi em nenhuma outra festa desse tipo. Pista de dança lotada tocando techno, e de repente todos são surpreendidos com uma banda de Maracatu que surge do nada tomando conta de tudo, acontece coisas assim lá.

Pela Voodoohop passam um monte de pessoas legais e projetos artísticos de várias partes do mundo que provavelmente você nunca irá ver em listas de 'melhores do ano' da grande mídia e que mesmo assim tem seu publico. Tanto que às vezes a fila para entrar na festa dobra a esquina da São João. Uma coisa que eu acho importante falar é que todas as pessoas com quem estou trabalhando atualmente busco manter uma relação de amizade, identificação de gostos, conceitos, gastronômicos, etc... não me agrada aquele tipo de business frio. Gosto de tomar cerveja com os empresários.

Falando ainda da relação São Paulo/Pouso Alegre.... você gosta de São Paulo? E em contrapartida, o que você só encontra em Pouso Alegre que aqui em São Paulo não tem de jeito nenhum?

Sim eu gosto de São Paulo demais, eu me vejo como um mordomo de São Paulo (risos). Me identifico com aquela frase do Luke Vibert: "Sorry i make your lush". Acho que tem tudo a ver comigo na cidade. Um Zé com um computador na mochila que sai dos shows a pé, dobra esquina e desaparece na neblina com a sensação de missão comprida, até a pastelaria mais mais próxima.... ouvindo rap nos foninhos. O que você encontra em Pouso-Alegre que não encontra em São Paulo? Um produtor de música eletrônica que já trabalhou em plantação de morango na roça.

Nas suas apresentações ao vivo, a gente percebe que você junta muitos cacos de coisas completamente diferentes pra fazer algo seu. Qual foi a fonte que mais te inspirou a buscar esses cacos de música em Mental Surf?

Fui produzindo sem pensar em nada disso, escutando músicas que eu achava que seria legal samplear e as coisas foram tomando forma. Eu me inspirei nas próprias viagens da minha cabeça. Eu gosto de samplear música ruim e música boa, e não me importo se isso é legal ou ruim. Isso tem me deixado muito feliz porque esta funcionando.

A capa do disco de Mental Surf: homenagem à vida bucólica.
A capa do disco de Mental Surf: homenagem à vida bucólica.



E o que você tem ouvido de novidade que tem te feito ficar animado?

Eu sou fã de um produtor japonês, o Rei Harakami. Suas musicas mudaram minha vida. Meu sonho era conhecê-lo mas não deu tempo, ele faleceu este ano. Fiquei muito triste.
Ultimamente tenho escutado muitas mixes da Essential Mix BBC radio 1, e sempre me pego pagando pau excessivamente para todos aqueles artistas da Rephlex. Acima da média. Acho que os selos Brainfeeder, Monkeytown, Ghostly e Planet Mu tem distribuido coisas incriveis ultimamente. De algum modo esses músicos devem me influenciar, mas definitivamente não mais que os músicos de vanguarda daqui do Brasil. Quando eu escuto Clube Da Esquina aquela frase do Tom Jobim de que o Brasil não é para principiantes faz mais sentido.

Pra finalizar: qual é o melhor lugar pra colher "fungos enteogênicos" que você conhece?

Prefiro não falar sobre isso. Mamãe e papai ficariam muito decepcionados se descobrissem que eu fiquei louco para sempre! (risos)

TRACKLIST :: PSILOSAMPLES - MENTAL SURF

1_eterna criança do mato
2_ovelha negra
3_estrada de terra
4_coração de urtiga (interlúdio)
5_o príncipe da roça
6_bom dia menina pelada
7_meteorango kid
8_ok, zé da roça
9_RÁleluia (bonus track)

foto: Tiago Frúgoli

Thiago Freitas
Thiago Freitas
everybody love everybody
comentários
4 comentários
gui xavier
gui xavier(21.11.11)
0AprovadoQueima
Quase um Fourtet nacional. Foda!
Daniel Tamenpi
Daniel Tamenpi(17.11.11)
0AprovadoQueima
zé rolê é ídolo!
Boa matéria, parabéns!
Outros destaques do IDM nacional são Holocaos e Bmind. Confira:
www.tranzmitternetlabel.com
Quid pro Quo
Quid pro Quo(16.11.11)
1AprovadoQueima
`azedas como laranja lima`... tipo, doces como limao?