Entrevista: Chromeo
P-Thugg e Dave1 em São Paulo
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New Fiesta: Chromeo em SP
02.09.10 19:15
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Entrevista: Chromeo
"O hypemachine é a nossa Billboard"
02.09.10 19:15
Chrome Romeos é a definição perfeita para Dave1 (Dave Macklovitch) e P-Thugg (Patrick Gemayel), cujo show fechado que aconteceu ontem em São Paulo causou furor - entusiasmados e críticos.

O fato é que a dupla têm contextualizado como poucos artistas o funk dos anos 80 para a geração da internet e da ironia. E espera ver seu novo álbum, Business Casual, ser lançado oficialmente no próximo dia 14 de setembro, sem vazar antes - talvez em vão, já que parece que uma versão caiu ontem no p2p. Pelas faixas já divulgadas, as ótimas "Night by Night" e "Don't Turn the Lights On", podemos esperar um Chromeo mais sofisticado musicalmente, levando as batidas para um próximo nível sem perder seu humor e honestidade caracteristicos.



O show de ontem, primeira vinda do Chromeo ao Brasil, mostrou novas faixas do álbum, e marcou a primeira vinda dos canadenses ao Brasil, coberta de controvérsia - apesar de boa, a festa, fechada e patrocinada por uma montadora de carros, não deu chance para os muitos fãs que a dupla tem no Brasil. Mas não se preocupe com isso: uma tour pela América do Sul está sendo conversada e pode acontecer num futuro próximo.



Foi antes do show que nós sentamos para falar com Dave1 e P-Thugg sobre música e internet (bom, que mais?). Eles responderam algumas perguntas duras sobre "se vender" e, mais importante, definiram exatamente o que querem dizer com Business Casual.


Então, é a primeira vez de vocês no Brasil - o que vocês fizeram desde que chegaram?

DAVE1: Nós jantamos!

Vocês ainda são vegetarianos?

DAVE1: Como você sabe disso? Eu estou tentando ser vegetariano, mas faz apenas alguns meses.

Só estava pensando em como você está indo com isso por aqui, porque o Brasil é o paraíso da carne vermelha...

DAVE1: Bom, o peixe estava ótimo.

P-THUGG: Ele trapaceia.

DAVE1: Na América do Norte a churrascaria é uma coisa bem barata. Talvez seja até assunto para uma investigação aqui no Brasil, mas acontece algo entre as churrascarias e as revistas de avião. Toda e qualquer revista de bordo traz anúncios de churrascarias. Eu nunca compreendi a ligação! Mas talvez eu traia o vegetarianismo...

Falando em trair, o álbum de vocês ainda não vazou...

DAVE1: (batendo na madeira) Eu acho que dessa semana não passa.

Para ser honesta, eu pedi para a RP [relações públicas] de vocês um link de download e ela disse "eu pedi para o pessoal, estamos trabalhando nisso". Foi meio que um teste, porque eu sei que vocês têm uma atitude legal de ver ver a internet e os blogs de música como amigos, mas, quando se trata de leaks, não querem perder o momento que estão construindo.

DAVE1: Eu lembro da entrevista em que eu disse isso! Mas não consigo lembrar para onde era. Sabe, tem um monte de coisas na minha casa que eu perdi e preciso organizar. Você quer me ajudar? (risadas)

Sim, é verdade, nós somos bastante a favor da internet como meio de divulgação. Eu não falo isso para ganha moral, mas os blogs são a coisa mais importante. O hypemachine é como a nossa Bilboard. Eminem é número um na Bilboard, mas nós somos número um no hypemachine. Esse é o nosso mundo. E é um mundo em que existe menor autoridade no jornalismo - você não precisa ser um veterano da redação da Rolling Stone para dizer o que é bom e o que não é. Se você tem um blog que as pessoas gostam de ler, você organicamente tem mais autoridade. É mais democrático nesse sentido. E também está mais ligado ao que acontece na eletrônica.

Na América do Norte a mídia tradicional não cobre música eletrônica ou black music direito. Você tem a Rolling Stone de um lado, mas eles não falam muito de funk, e aí você tem as revistas de hip hop do outro lado. Nós estamos bem no meio. A mídia impressa simplesmente não tem um nicho para nós. Então nós começamos essa banda que é amiga dos blogs. Os blogs entendem melhor esses híbridos musicais, começaram com os mashups. Nossa música não é um mashup, mas por ser um híbrido entre a eletrônica e a black music, funciona muito bem para a audiência na internet.

P-THUGG: A mídia impressa é bastante conservadora também.

DAVE1: Nós somos bastante a favor da música ser gratuita também. E aí existe um paradoxo, porque eu estou tentando mesmo não deixar nosso álbum vazar. Como você disse. é uma coisa de momento. Uma vez que o álbum sair, tenho certeza que quem quiser baixar via torrent vai conseguir encontrar. Mas nós estamos tentando criar um momento, para que o lançamento possa ser um evento. Eu espero que a gente ainda seja capaz de criar acontecimentos na era digital.

Uma vez que o álbum saia, quem quiser pode comprar, ótimo, e se alguém conseguir o disco de graça, eu não me importo. Não é com as vendas que vamos ganhar dinheiro. Para artistas na nossa posição, que querem poder dar coisas de graça, nós temos que fazer parcerias com marcas e empresas. E é isso que realmente importa. A ironia é que algumas pessoas criticam isso. Eu acho que nós conseguimos ir bem, e com alguma classe. O vídeo de "Night by Night", por exemplo, só foi possível por causa do Montain Dew. Chromeo e Mountain Dew, não é a coisa mais cool do mundo, mas eu acho que nos saímos bem, você não vê eu e o P bebendo Mountain Dew no vídeo.

Nós pudemos dar a música de graça, nós pudemos ter tudo que quisemos, nós não tivemos que beber ou incentivar o consumo e quem sai ganhando no fim das contas? Os fãs! Eu não acho que isso é algo para negativar. Essa relação sempre existiu. Patronos das artes sempre existiram e nos nossos tempos eles são as grandes companhias.

Nós não temos montes de gravadoras colocando dinheiro no que fazemos. É só a gente. Nós viabilizamos fazendo parcerias como essa. Nós fazemos de uma forma em que mantemos o controle criativo, e estamos felizes com o produto. A outra opção é assinar acordos onde as gravadoras são donas de tudo que eu faça (acordos de 360º).

O que é se vender? Eu posso fazer o que quiser com o dinheiro que vem da Montain Dew ou eu posso vender tudo que faço para uma major. Eu acho que a segunda opção é se vender. Bandas como a nossa tem opções hoje em dia. Mas essa dança com as grandes corporações gera comentários, maldosos ou engraçados. Mas nossa resposta é que pelo menos nós não nos vendemos para uma gravadora. Nós somos donos de tudo que fazemos.

Vamos falar das Chromettes por um segundo. É verdade que uma delas era sua professora de canto?

DAVE1: É!

E de quem foi a idéia de juntar com essas três garotas?

DAVE1: Minha. Eu devia, mas não tenho aulas com ela há algum tempo. Alguns anos atrás eu comecei a tomar lições de canto, e foi como nos conhecemos. Então eu tive a idéia de, em shows maiores, nós deveríamos ter garotas como as do Robert Palmer, cantando. Eu apenas perguntei pra ela o que achava e ela disse "legal, vamos fazer, eu conheço outras duas garotas". Infelizmente não podemos leva-las para todos os shows, por questões de orçamento e logística. Mas é legal mante-las para eventos especiais.



Vocês são melhores amigos desde a escola. Como vocês eram na época?

DAVE1: Nós eramos os caras legais!

P-THUGG: Até parece, eu era o palhaço da classe.

DAVE1: Eu era, você sabe, o nerd. Eu tirava boas notas, mas também era o cara engraçado.

P-THUGG: Ele era o nerd engraçado e cool.

DAVE1: Tudo ia bem comigo na escola, até chegarem as aulas de esportes, então meu mundo se transformava por uma hora e tudo era horrível.

P-THUGG: Eu era o palhaço da sala que os professores amavam odiar, porque eu tinha boas notas mas estava sempre no fundo rindo e conversando.

Vocês conseguem definir o que significa "business casual"?

P-THUGG: São os dois lados do Chormeo. Chrome Romeo. Business Casual. Começou com Dave fazendo uma reserva em um restaurante em Paris e eles disseram que o dress code era "business casual" [traduz como "negócio casual"]. Tudo sempre começa com nós rindo e nos divertindo.

DAVE1: Soava tão anos 80, foi hilário.

E vocês foram ao restaurante? O que vocês usaram?

Dave1: Eu usei um terno sem gravata. Pense em Don Johnson e Miami Vice, ternos com camiseta. Isso simboliza a atmosfera elegante e relaxada e combina com o clima 80s das nossas músicas. Porque, na época, as pessoas estavam tentando ser relaxadas, mas ainda elegantes. Como Huey Lewis. Ah, e o Phil Collins fez aquele álbum, No Jacket Required. Os anos 80 também foram a era dos yuppies - o tipo de cara que vai trabalhar e pensa "ah, estou indo trabalhar, tenho que usar uma gravata". E foi o começo das casual fridays...

P-THUGGS: E da rebelião contra as gravatas.

DAVE1: Hoje em dia, se você procyrar por "business casual", você vai encontrar Steve Jobs e Bill Gates. E não é disso que gostamos. Nós queremos ser como o Don Johnson!

E sobre o show em São Paulo?

É bem difícil para uma banda como a nossa, que ainda tem tanto a provar em tantos territórios, excursionar onde queremos. Nós vamos voltar para uma tour de verdade na América do Sul, com shows grandes. É uma certeza. Esse show foi um aperitivo para todos, incluindo nós. Nós queremos tocar mais e conhecer mais pessoas. Nosso manager disse "deixem as pessoas sabem que vocês estão abertos para negociar!"

Thanks: Lalai Luna

Christel Escosa
Christel Escosa
www.imyouare.com
comentários
4 comentários
Carbon23
Carbon23(07.09.10)
1AprovadoQueima
entrevista bem bacana, parabens
 Markan
Markan (02.09.10)
2AprovadoQueima
Sou fã dessa malandragem.
Carol Nogueira
Carol Nogueira(02.09.10)
To apaixonada.
Thiago Freitas
Thiago Freitas(02.09.10)
caras supimpas esses.....