A abstração dubstep por vezes é difícil de entender. Toda uma cena medida pelo bass e por breaks que se revezam entre potência sonora e construções nada orgânicas de um mundo urbano e, por que não dizer, futurístico. É o IDM em sua forma mais quebrada, que vive hoje o seu grande momento. Como o apelo do gênero não é imediato, e às vezes regional demais (UK), este som é mais calcado em seus grandes nomes e personas do que no rótulo
per se, coisa que acontece com HOUSE e TECHNO primordialmente.
Assim, Burial até hoje assume um papel de missionário dubstep com seu álbum
Untrue, de 2007.
Horsepower Productions é pioneiro e Skream,
Benga,
Pinch,
2562, Martyn e Peverelist são algumas das estrelas - tem até os farofas bem sucedidos, como
Caspa e Rusko. Revelações vêm e vão como promessas de entrar neste restrito panteão - Joker,
Zomby, Untold são alguns deles. E na sonoridade por vezes inidentificável do dubstep, selos ocupam um importantíssimo papel: quem é que não celebra Planet Mu, Skull Disco, Tectonic e Tempa? O Hyperdub foi a grande coisa do dubstep em 2009. E o Hotflush, outro grande "nome" deste rol, lançou em 2009 a grande aposta do gênero agora para 2010:
Joy Orbison.
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Joy Orbison - Hyph Mngo (mp3)
Trata-se de Peter O'Grady, rapaz de 22 anos que foi apresentado ao bass ainda moleque, tendo se tornado DJ aos 13 anos. A produção começou com o famigerado Fruit Loops em remissões ao grime (o hip hop inglês), e evoluiu naturalmente para uma sonoridade bem autoral, que parte do pressuposto dubstep para destilar influências da house music, rock e até pop eletrônico. Lançada no meio do ano passado, a faixa "Hyph Mngo" trouxe a euforia que a cena bass precisava: uma faixa de nome (e autor) enigmático, em que o 2-step descompassado é deliciosamente atrelado a vocais garage e simples inserções de notas e efeitos. A atmosfera housy é deep e a repetição do vocal lembra o drum'n'bass jazzy, fazendo com que eu, pessoalmente, entenda porque os DJs lá da Zona Leste, onde cresci, chamavam tudo que tinha alma e vocal de "garage".

O estabelecimento de Joy Orbison como bom produtor está se dando até agora, com o lançamento de faixas, remixes e, na internet, a rotação de diversos sets. Neles, o bass é intercalado com coisas como The Revenge (house), Telepathe (synth), Arthur Russel (!), James Pants (undefined) e outros, mostrando versatilidade e desprendimento da própria cena dubstep, fato que pode atrair mais espectadores e visibilidade - bom para entender porque todo DJ/produtor grita aos ventos "não quero estar associado a nenhuma cena". Bloghouse afora, baixe os mixes
BSRkR,
DLDRMS001 e
NPIP, o cara é bom DJ.
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Joy Orbison - Wet Look (mp3)
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Joy Orbison - J.Doe (mp3)
Além de "Hyph Mngo", dá para sentir a linearidade autoral de Joy Orbison em outras faixas. "Wet Look" foi lançada junto com esta mais famosa e segue na boa mistura de quebradeira 2step e ambientação vocal com repetição e efeitos introspectivos. "J. Doe" é tão baseada no vocal que é quase um R&B dubstepper,
annoying, mas com bom apelo.
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Joy Orbison - BRKLN CLLN (mp3)
Em "BRKLN CLLLN" os breaks estão mais disciplinados, virando quase um techno percussivo e ríspido, com uns synths dando uma cara de electrohouse. Tem ainda o sensual remix pra "Love Cry" do Four Tet e uma computadorizada e também sensualizada "recreation" para "Blackmagic", de José James, aposta da geração Flying Lotus.
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Four Tet - Love Cry (Joy Orbinson Remix) (mp3)
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José James - Blackmagic (Joy Orbison's Recreation) (mp3)
Joy Orbison é destaque porque sua capacidade de produção não para de evoluir. Quem não há de se abismar com "The Shrew Would Have Cushioned The Blow"? 4x4 cavernoso, cavalgado, crescente e cheio de groove, em que gemidos só te fazem dançar e trazem o mesmo espanto de quando
Shackleton surgiu. Essa faixa é o preview do próximo EP de Orbison, que sai dia 22/fev pelo selo Aus Music e está na mais recente
coletânea da Ostgut, selo do clube Berghain, onde o jovem inglês que ainda é funcionário dos correios no Reino Unido, irá tocar. A música é um absurdo, ouça.
The Shrew Would Have Cushioned The Blow + Waxes & Wanes (selo Aus Music)Este release antecipado só prova o hype em torno de Joy Orbison:
best new music no Pitchfork,
artist to watch na
XLR8R e, mais importante no contexto inglês,
aposta de 2010 para a BBC, lista que conta muito num mercado musical ainda rentável e disseminado mundo afora. Sem se comprometer integralmente com as requisições do dubstep, mas também apavorando no bass e na boa construção de breaks atmosféricos, cheios de influência da black music, esse moleque branquelo inglês de 22 anos é um daqueles casos raros de músicos que extrapolam as fronteiras da dance music, que se vangloria de modernidade e abstração sonora, mas ao mesmo tempo é tão presa às suas próprias amarras.
http://www.simplerecords.co.uk/#/releases/82
A outra faixa "So Derobe" é muito boa também. O cara tem MUITO talento.
já é top nos meus players!!tomara q nos sets e clubs mundo afora tb o seja!
vida longa ao inglês!!
Ouvindo as outras e os sets, percebi o pq tanto falam do mulek.
Garoto prodigio!!