1992, o ano que nunca acabou. Dos primeiros
versos de M.I.A. em "XR2" até o pastiche new-rave, as cornetas da eletrônica ao ar livre continuam emanando sons. Depois de
Burial e
Schakleton, outro produtor de dubstep envolto em mistério surge: trata-se do londrino
Zomby, que desponta agora nesse fim de ano com um álbum-tributo à música raver oldschool, intitulado sugestivamente de
Where Were U In '92?
O álbum saiu mês passado pela Werk Discs, mas Zomby é figura fácil há meses em selos como Ramp Recordings e o ótimo Hyperdub, casa de Kode9. O ano de 1992 é homenageado por que foi a época em que o produtor "comprava
white labels e colecionava flyers de raves. Era muito jovem pra entrar, estava para cima e para baixo de skate com camisetas Total Kaos e uma mochila cheia de fitas K7", ele
recorda à FACT Magazine, em uma de suas poucas entrevistas. A influência musical está em torno de "
Let Me Be Your Fantasy" (Baby D), e, assim como o Klaxons, em "
The Bouncer" (Kicks Like a Mule). É um disco de "1990-94 jungle techno chamado hardcore."
Basicamente, trata-se da mesma homenagem que Moby fez com seu recente
Last Night, só que menos gay e de um nível de imprevisibilidade bem maior, já que o disco foi feito munido de "gameboys, Nanoloop, LSDJ, Pro Performer, MPC2000 XL, Logic Studio, Macbook Pro, Atari ST Akais, Microkorg e tudo que eu precisei para me dar as texturas desejadas", ele lembra. O resultado? Cornetas e batidas descompassadas como em "Float" e o jungle maldito de "B With Me", por exemplo. Ouça abaixo só para ter um gostinho, já que resenharemos o disco todo em breve - fique ligado.
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Zomby - Float (mp3)
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Zomby - B with Me (mp3)
DUBSTEP OR NOTZomby é conhecido no microcosmo dubstep há tempos. Misterioso de fato, sempre se apresenta de máscara, (quase) ninguém sabe quem é - quase exatamente como Burial, referência óbvia. O comportamento, assim como a música, é agressivo - Zomby teria até sido banido há meses do
dubstepforum.com, o estômago online do gênero.
De modo que tal rusga é perceptível, Zomby deve ser daqueles artistas viscerais que pensam várias vezes antes de se sindicalizar de corpo e alma a um gênero. Tanto é que parte de seu
buzz, claro, vem do programa de Mary Anne Hobbs (BBC), mas também de sua faixa "Strange Fruit", que entrou no
Fabric de Sinden, um dos papas atuais da fidget. A música, mais que a obviedade confusa e experimental de muito que sai no dubstep hoje, é um trance 8-bit, de alma horripilante, como boa parte de sua música.
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Zomby - Strange Fruit (mp3)
Como outro aperitivo para quem quer conferir o lado dub-wonky-street de Zomby, vale ouvir a palmada dub na orelha que é "Spliff Dub" e a paranóia loopada de "Helker Skelter", a trilha da tela derradeira de um videogame macabro. Sensacional.
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Zomby - Spliff Dub (mp3)
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Zomby - Helter Skelter (mp3)

http://ignitiontechnician.troden.com/ignitiontechnicianliveinspain2008.mp3
obvio né...mas nesses casos acho legal o cara citar o original, fazer um "float mix", já que tirando o sample nao sobra muita coisa na faixa.
mas de resto, é um ótimo produtor!
Pois é. É que essa musica é tão caracteristica da época, do movimento, que é impossível nao ser uma homenagem.
Esse album do Bizarre Inc. é maravilhoso.