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Jerome Hill está entre nós
31.01.09 17:0010 comentários

 

A primeira vez que vi Jerome Hill tocar foi no finado Ampgalaxy, acho que era final de2004. Ele tocava no andar de cima, e a música que saia das caixas de som, uma mistura de dub, funk, Motown, acid house, techno, breakbeat e rockabilly me fez ir olhar de perto quem era aquele DJ tão ousado.

 

Quando cheguei perto, vi Jerome discotecando basicamente apenas com discos de 7 polegadas, mixando com precisão de circurgião, concetrado na mistura de sons do passado com batidas sempre atuais.

 

Logo que ele saiu da cabine, começamos a falar sobre música e acabei ganhando um novo amigo. Depois de viver em São Paulo por dois anos e meio, este doce canceriano está de volta para visitar amigos e tocar. Neste sábado, ele mostra seu mix de coisas malucas e sempre muito dançantes do clube Kraft, em Campinas, onde tocou também no sábado passado.

 

Sempre afogado em discos, Jerome passou os últimos dias entre São Paulo e Santos, onde vive outra grande amiga sua, a DJ Mara Bruiser. Em companhia da namorada, a também DJ Lusinda, ele aproveita cada minuto no Brasil e não deixa de passar sempre que pode no seu lar longe de Londres, o Paulista Grill.

 

Enquanto arrumava discos pra ir pra Campinas, peguei o rapaz pra esta rápida entrevista:

 

TDJS - Quando foi a primeira vez que veio ao Brasil e o que você achou daqui?

Jerome Hill - Foi o (DJ) Enrico que me bookou pro aniversário do Susi In Transe, acho que foi em 2003. Adorei tudo! A cidade, as pessoas, a cena underground tinha várias coisas em comum com a de Londres. DJs como Julião, Enrico e Phantasmas estavam tocando coisas bem parecidas com o que rolava na Europa na época. Gostei muito do jeito das pessoas, foi realmente uma experiência marcante.

 

TDJS - E por que você resolveu morar em São Paulo?

Jerome Hill - Foi metade pela música e metade pelos amigos.

 

TDJS - Quando te vi tocando pela primeira vez, você só estava usando discos de 7 polegadas. Como você consome música hoje?

Jerome Hill - Hoje não tem mais tantas lojas, então eu compro bastante coisa pela internet, mas eu gosto de vinil, sempre vinil.

 

TDJS - E quantos discos você tem?

Jerome Hill - Acabei vendendo os mais genéricos, mas ainda mantenho os que amo, os que são eternos. Devo ter uns 6.000.

 

TDJS - E da onde vem o gosto por música antiga?

Jerome Hill - Aprendi a ouvir música com meu pai, que era um grande fã de rock dos anos 50, de Chuck Berry, essas coisas. Eu cresci ouvindo isso, e depois fui atrás de outros gêneros e décadas. Eu amo música eletrônica, mas é preciso saber que antes dela, muitos outros estilos de música fizeram as pessoas dançar. Eu simplesmente adoro fuçar.

 

TDJS - Uma amiga minha mando um email dizendo que as coisas em Londres andam meio deprês, por causa da crise. Você já sentiu isso?

Jerome Hill - Existe um sentimento meio dark, não tem como não perceber. Conheço pessoas que perderam seus empregos também. Ainda bem que ainda tenho o meu!

 

TDJS - O que você faz além de tocar?

Jerome Hill - Faço produção para grandes shows, vou atrás das coisas que os artistas pedem nos camarins, por exemplo. Já trabalhei pro Metallica, Prodigy, Neil Diamond, Slipknot... aliás, eles são o máximo! Agora, posso falar um cara que é muito cuzão? O Kayne West, bota aí por favor que ele é um idiota, que só pensa nele mesmo. Ah, e também faço produção pra tele-catch, que é superdivertido.

 

TDJS - O que você tem tocado nos seus sets ultimamente?

Jerome Hill - Ah...(pensando)... (abre o case)... Tenho tocado muita coisa de hard Chicago house, gosto muito dos lançamentos do selo francês Frankie Records, que tem bons artistas de minimal, Britcore, oldschool hip hop e funk, e também de funk e swing alemão dos anos 60 e 70. Entre os produtores que estão no meu case agora, estão Ben Pest, Luke's Anger, The Bug, Tobias Schmidt e PTO.

 

Em tempo, pra saber mais sobre Jerome, dá uma olhada no My Space dele

Claudia Assef
Claudia Assef (clauassef @ uol.com.br)
Clau é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de internet, toca discos por aí e prefere tintos suaves, mas potentes.