Voltei.
Longos hiatos as vezes são necessários pra que cheguemos a certas conclusões, meus caros. Afinal, nos dias de hoje em que ninguém mais tem tempo de pensar sobre determinado assunto quanto mais chegar a conclusões – muda-se de assunto como se muda de roupa! – só mesmo se afastando uns bocados pra get the big Picture.
E como os poucos que aqui se aventuram devem ter notado, esse não é um blog de looks do dia, certo? Que fique claro: aqui são registradas opiniões subversivas e esporádicas sobre o fascinante e frívolo mondo fashion, e assim se manterá até minha eventual expulsão pelos donos do rraurl, cansados de blogueiros que desaparecem.
Mas então.
Estive no Brasil por dois meses recentemente, e well, well, well, vejam só se esse não é um país em ascensão? Quase irreconhecível, nosso Brasil, com seus ares de Dubai, no centro das atenções mundiais, e cheio das pretensões típicas dos emergentes. Muitas cifras por pouco valor, muita atenção dispensada no indigno e injustificado, ou como diria o velho Bardo, much ado about nothing!
Mais tais são os perigos do capitalismo desenfreado.
Aí esses dias caí nesse blog post na FFW, onde a autora Bia Granja celebra a relação positiva da internet com fashionistas em geral, o quanto tem sido LIBERTADORA (caixa alta de autoria dela.)
Não concordei, imediatamente. Simplesmente porque a conclusão da Bia é típica de uma cultura que está em ascensão e ainda otimista – e portanto CEGA – em relação aos perigos do excesso.
Por aqui, já deu tempo do fascínio com blogs de moda/revistas/fast-fashion gerar um repercussão negativa. Guarda-roupas abarrotados de peças descartáveis e sem sentido, legiões de “It-girls” pré-fabricadas e clonadas, e milhares de editoriais mostrando o mesmo sapato Prada (ou cópia dele), deixando um gosto amargo na boca de quem curte moda como forma de auto-expressão.
Claro que a internet virou, de uma forma positiva, uma terra de ninguém onde todo mundo tem voz e liberdade pra contribuir da maneira que quiser (olha eu aqui fazendo exatamente isso). Só que pouquíssimas pessoas estão fazendo isso, expressando a própria opinião ou visão. Pelo contrario, a internet só trouxe pra um plano mais visível uma “boiada” de supostos fashionistas que nada mais são do que os velhos seguidores de tendências. Uma massa homogênea e sem senso-crítico.
"É bom para o público consumidor e a indústria" – dizem os otimistas. O problema é quando “players” da própria indústria enxergam seus trabalhos como uma forma de expressão artística, mas ao invés de trabalhar na criatividade, apenas regurgitam versões e mais versões medíocres do trabalho de outros. Por que a internet abriu as portas de um mundo até não muito tempo limitado, o que se chama de “pesquisa” e “inspiração” hoje em dia nada mais é que reprodução descarada. Nunca pipocaram tantas revistas de moda como agora (pra não falar das revistas online), e é extremamente difícil diferenciar o conteúdo de uma pra outra!
Do ponto de vista do consumidor, se é bom ter acesso e dinheiro pra comprar as roupas que até pouco tempo era privilégio dos que viajavam e moravam fora? Lógico que é. É maravilhoso. Mas o perigo, como sempre, está na preguiça mental que a disponibilidade em massa causa, ainda mais quando esse tal consumidor só filtra suas escolhas através do twitter/blogs/revistas de moda. O resultado? Todo mundo vestindo a mesma coisa.
Quer uma prova? Essas fotos foram tiradas de 3 street-style blogs diferentes, de 3 países diferentes. Dá pra dizer quem vem de onde? Então.
E não são apenas meninas. Aqui mais 5, de Seoul a Califórnia, passando por Amsterdam e hm, Brasil.
Se achamos o look deles legal? Achamos. Se é necessário ver 5 milhões de versões online do mesmo look todo santo dia? Definitivamente não.
Volto a bater na mesma tecla: estilo verdadeiro não está no consumo desenfreado de fast-fashion, no look do dia, na obsessão pelo tendência, tendência, tendência. O “fashionista” verdadeiro leva anos pra afinar sua identidade, seu look, se deixando influenciar por todos os âmbitos da cultura e pelo ambiente que se vive. Pode vir das bandas que escutava na adolescência, dos romances que lia na faculdade e os filmes que via a tarde depois da escola, pode vir de uma tia que praticava hipismo ou pela avó que tricotava suéteres pra família toda. Ou pode vir daquela lojinha da esquina de uniformes que vende camisas brancas que caem como uma luva. Referências únicas que não vão virar uma fórmula a ser seguida no twitter ou ditadas por uma personal stylist. Qualquer lugar, menos o óbvio.
Como disse Oscar Wilde (eu sei, eu sei, citar Wilde é o extremo do óbvio), “Eu vivo apavorado de não ser incompreendido.” #Ficaadica.
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.



