The Clash
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O Apocalipse Hipster
26.08.11 12:2714 comentários

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Eu sou fã de ironias. Ironias fazem o meu dia ser mais divertido. E eu acredito que não há nada como uma boa ironia pra animar a torcida, ainda mais quando elas vem dos lugares mais PROVÁVEIS. Como um fumante que fica surpreso quando descobre que tem câncer. De pulmão. Depois de 30 anos fumando.

 

Anyway.

 

A ironia de hoje vem cortesia de um texto publicado na edição de agosto da bíblia hipster, Dazed & Confused. Segundo a revista, o apocalipse estaria próximo, e a morte em massa de seu discípulo maior – aquela figura magrela/ de bigode / boné New Era / que toca synth / posa em fotos de festa com o queixo abaixado e ventinho no olho/ (insira aqui o seu atributo hipster favorito), mais conhecida como o HIPSTER EM SI –  não só está próxima, como será muito bem-vinda.

 

 

AHN?

 

“Ahn,” indeed. Parece que até aqueles que dependem dessa criatura pra se manter em business andam cansados da existência lomografada característica de tal figura.

Essa conversa sobre a extinção do hipster não é nova. Lá pelos idos de 2008, vários bloggers e colunistas já previam a catástrofe que um “movimento” como esse, baseado no simples consumo de novidades, ia causar.

 

A matemática, por mais que pareça complicada, é na verdade muito simples: o problema do hipster é que ele acredita profundamente que consumir o novo, ou a tendência-antes-da-tendência, é uma forma de CRIATIVIDADE. Pior: uma forma de REBELDIA, como se freqüentar festas do momento usando mega-cílios postiços da MAC e posar topless no banheiro pro fotógrafo-blogueiro do momento (ou pro Instagram do teu próprio iPhone) fosse um ato comparável ao do punk que passou três meses comendo feijão enlatado pra bancar a guitarra de segunda mão com a qual ele pretende compor a nova “Anarchy in The UK”.

 

Ele/ela esquece que uma rede global de agências, blogs, marcas, redes sociais estão capturando cada novo hábito de consumo desenfreado dessa pseudo sub-cultura, na sequência empacotando e revendendo tudo de novo para eles mesmos, os próprios pseudo-criadores de tendências culturais. Só que a partir do momento que a novidade se espalha – e em tempos de redes sociais, isso acontece na velocidade da luz – o hispter passa a desdenhar tal tendência e procurar a próxima,  se enfiando assim num ciclo infinito de tédio e vazio existencial. Expressar entusiasmo é expressamente proibido, já que realmente AMAR ALGO DE PAIXÃO significa se AFILIAR a esse algo mais do que os 5 minutos que o hispter está acostumado a dedicar pra cada moda/música/obra-de-arte. E isso é o HORROR, porque no fim das contas, deslumbre é para os fracos, ou pros que chegaram atrasados. Assim, sempre histericamente a frente de todos, o hipster pra se manter hipster precisa exalar um ar constante de indiferença, apatia, tédio.

 

Mas pensa: como é que vamos criar qualquer coisa de significância nesse mundo se não há motivação significativa pra isso? O que fazer quando o nosso objetivo maior é ganhar o maior numero de “LIKES” na rede social, assim validando nossos esforços temporariamente - na sequência, sendo deixados pra trás pela próxima novidade a ser “postada”? Em tempos de gratificação instantânea, ser relevante e ser efêmero praticamente viraram sinônimos.

 

Todos os movimentos jovens antes da vinda do hipster surgiram como uma reação a um status-quo, uma alternativa ao que era ditado pelo establishment.  Os Mods, os Hippies, os Punks, os New Romantics, os B-boys, e por aí vai, tinham objetivos claros na cabeça quando decidiram se vestir orgulhosamente da maneira que se vestiam: protestar, usando o estilo pra chamar atenção pra ideia em si. Hoje em dia os únicos protestos em que existem em sociedades consumistas como as nossas são adolescentes quebrando as vidraças de lojas da vizinhança pra roubar os tênis e celulares do momento, simplesmente por roubar – depois culpando o governo por isso. O estilo em si virou a ideia final, a causa.   

 

Hoje, te desafio a encontrar um indivíduo que bata no peito com orgulho ao se auto-proclamar um Hipster. Ele próprio sabe o quão pejorativo e sinônimo de vazio o termo é.

 

Infelizmente, enquanto os próprios criadores, como a Dazed, continuarem cultivando a existência da própria criatura, a morte do hipster tá longe de acontecer. No máximo, esse monstro cultural só vai se transmutar em outro tão consumista quanto, indefinidamente, até sermos todos engolidos pelo próprio excesso material.

 

Salve-se quem puder. 

Categorias: Gente, Pensa, Polêmica
 Thais Mendes (glittah)
Thais Mendes (glittah) (glittah @ gmail.com)
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.
O Ataque dos Clones
23.05.11 08:307 comentários

Voltei.

 

Longos hiatos as vezes são necessários pra que cheguemos a certas conclusões, meus caros. Afinal, nos dias de hoje em que ninguém mais tem tempo de pensar sobre determinado assunto quanto mais chegar a conclusões – muda-se de assunto como se muda de roupa! – só mesmo se afastando uns bocados pra get the big Picture.


E como os poucos que aqui se aventuram devem ter notado, esse não é um blog de looks do dia, certo? Que fique claro: aqui são registradas opiniões subversivas e esporádicas sobre o fascinante e frívolo mondo fashion, e assim se manterá até minha eventual expulsão pelos donos do rraurl, cansados de blogueiros que desaparecem.

 

Mas então.

 

Estive no Brasil por dois meses recentemente, e well, well, well, vejam só se esse não é um país em ascensão? Quase irreconhecível, nosso Brasil, com seus ares de Dubai, no centro das atenções mundiais, e cheio das pretensões típicas dos emergentes. Muitas cifras por pouco valor,  muita atenção dispensada no indigno e injustificado, ou como diria o velho Bardo, much ado about nothing!


Mais tais são os perigos do capitalismo desenfreado.

 

Aí esses dias caí nesse blog post na FFW, onde a autora Bia Granja celebra a relação positiva da internet com fashionistas em geral, o quanto tem sido LIBERTADORA (caixa alta de autoria dela.)

 

Não concordei, imediatamente. Simplesmente porque a conclusão da Bia é típica de uma cultura que está em ascensão e ainda otimista – e portanto CEGA – em relação aos perigos do excesso. 

 

Por aqui, já deu tempo do fascínio com blogs de moda/revistas/fast-fashion gerar um repercussão negativa. Guarda-roupas abarrotados de peças descartáveis e sem sentido, legiões de “It-girls” pré-fabricadas e clonadas, e milhares de editoriais mostrando o mesmo sapato Prada (ou cópia dele), deixando um gosto amargo na boca de quem curte moda como forma de auto-expressão.

 

Claro que a internet virou, de uma forma positiva, uma terra de ninguém onde todo mundo tem voz e liberdade pra contribuir da maneira que quiser (olha eu aqui fazendo exatamente isso). Só que pouquíssimas pessoas estão fazendo isso, expressando a própria opinião ou visão. Pelo contrario, a internet só trouxe pra um plano mais visível uma “boiada” de supostos fashionistas que nada mais são do que os velhos seguidores de tendências. Uma massa homogênea e sem senso-crítico.

 

"É bom para o público consumidor e a indústria" – dizem os otimistas. O problema é quando “players” da própria indústria enxergam seus trabalhos como uma forma de expressão artística, mas ao invés de trabalhar na criatividade, apenas regurgitam versões e mais versões medíocres do trabalho de outros. Por que a internet abriu as portas de um mundo até não muito tempo limitado, o que se chama de “pesquisa” e “inspiração” hoje em dia nada mais é que reprodução descarada. Nunca pipocaram tantas revistas de moda como agora (pra não falar das revistas online), e é extremamente difícil diferenciar o conteúdo de uma pra outra! 

 

Do ponto de vista do consumidor, se é bom ter acesso e dinheiro pra comprar as roupas que até pouco tempo era privilégio dos que viajavam e moravam fora? Lógico que é.  É maravilhoso. Mas o perigo, como sempre, está na preguiça mental que a disponibilidade em massa causa, ainda mais quando esse tal consumidor só filtra suas escolhas através do twitter/blogs/revistas de moda. O resultado? Todo mundo vestindo a mesma coisa.


Quer uma prova?  Essas fotos foram tiradas de 3 street-style blogs diferentes, de 3 países diferentes. Dá pra dizer quem vem de onde? Então.            

 

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E não são apenas meninas. Aqui mais 5, de Seoul a Califórnia, passando por Amsterdam e hm, Brasil.

 

 

 

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Se achamos o look deles legal? Achamos. Se é necessário ver 5 milhões de versões online do mesmo look todo santo dia? Definitivamente não.

 

Volto a bater na mesma tecla: estilo verdadeiro não está no consumo desenfreado de fast-fashion, no look do dia, na obsessão pelo tendência, tendência, tendência. O “fashionista” verdadeiro leva anos pra afinar sua identidade, seu look, se deixando influenciar por todos os âmbitos da cultura e pelo ambiente que se vive.  Pode vir das bandas que escutava na adolescência, dos romances que lia na faculdade e os filmes que via a tarde depois da escola, pode vir de uma tia que praticava hipismo ou pela avó que tricotava suéteres pra família toda. Ou pode vir daquela lojinha da esquina de uniformes que vende camisas brancas que caem como uma luva. Referências únicas que não vão virar uma fórmula a ser seguida no twitter ou ditadas por uma personal stylist. Qualquer lugar, menos o óbvio.

 

Como disse Oscar Wilde (eu sei, eu sei, citar Wilde é o extremo do óbvio), “Eu vivo apavorado de não ser incompreendido.” #Ficaadica. 

Categoria: Gente, Pensa
 Thais Mendes (glittah)
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A Ascensão dos Blogs de Moda
27.08.09 17:392 comentários

Vocês viram a Tavi na capa da POP? E a Suzie na Elle? E a Rumi, meu deus, inspirando o desfile da Ungaro?

 

QUEM?

 

Poisé.

 

Talvez o que eu vá dizer não é novidade nenhuma, mas estamos (hold your breath) no meio de uma revolução midiática.

 

Ou pelo menos parece, desde que editores de moda e designers ao redor do mundo começaram a gastar horas preciosas de trabalho na frente do computador lendo diariamente os blogs escritos por meninas tão versadas no fashionês quanto obcecadas em fotografar a si mesmas vestindo agregações variadas do próprio guarda-roupa.

 

Essas meninas, sem o menor estudo ou diploma ou treinamento que seja em moda, mas com uma obsessão beirando o doentio com roupas, entretem e influenciam o dia-a-dia dos formadores de opinião - e mais cedo ou mais tarde, o crédito teria que ser dado. E a a mídia esse mês tá ensandecida atrás das narcisas do mundo moderno.

 

O Reino Unido, é claro, não ia deixar essa oportunidade de ouro passar - e uma pessoa que está sempre 100 passos a frente da maioria dos mortais é a superstylist Katie Grand,  ex-editora da revista POP e agora "dona" da revista LOVE (além do sorriso mais interessante do mundo fashion).

 

Grand, além de cuidar da imagem das maiores marcas do mundo, adora apontar o dedo na direção de coisas e pessoas que o resto do mundo OBECECA anos depois - normalmente rodando os cantos obscuros da internet e conhecendo a molecada que frequenta festas do mundinho, daquelas que adora fazer uma montação absurda pra sair a noite. E ela é boa nisso. Foi assim que ela transformou a festa BoomBox, uma balada que reunia um bando de club kids sem grana fantasiados de Bob Esponja e Boy George, a status de Studio 54 do começo do século XXI. E colocou a gordinha Beth Ditto na capa de sua revista exatamente como veio ao mundo (com a ajuda da Adobe, of course). 

 

É claro que ela não ia perder a oportunidade de dar espaço a uma das bloggers que mais chama atenção no mundo, a minúscula Tavi. Aos 13 anos, a Americana Tavi escreve sobre moda com o cinismo e a desenvoltura de alguém muito mais, ahm, desenvolvido que ela, gerando imenso bafafá. E tanto bafafá rendeu 5 páginas na última edição da LOVE e a capa da renascida POP (agora editada pela namorada do Roman Abramovich...é, nem me fale).

 

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Outra que tem estrelado em inúmeros publicações e é praticamente uma celebridade virtual é a britância-chinesa Suzie Bubble, que escreve e se veste com a velocidade (e o descaso) de uma criança com hiperatividade. Diferente de Tavi, Suzie trabalha na indústria (editora da Dazed Digital), e por isso tem acesso a tudo e todos que outros blogs plebeus não tem - mas se parar pra prensar que Suzie começou o blog como um hobbie que levou ao tale job fashion, a trajetória da moça é bastante inspiradora.

 

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Mas mais surpreendente que sair em revistas tem sido o fato de designers de alto-calibre deixarem de lado as usuais atrizes/cantoras/modelos (gente com algum tipo de talento, nem que seja pra posar) pra elegerem uma blogger como musa - como foi o que aconteceu recentemente com a californiana Rumi.Tendo talvez menos criatividade e disposição com palavras do que as duas anteriores, Rumi mesmo assim foi eleita a "garota do moodboard" por Esteban Cortázar (na foto com a própria), a jovem cabeça por trás da tradicionalíssima fashion house Ungaro.

 

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E o que tudo isso significa? Que assim como o Myspace abriu as portas da esperança pra uma enchurrada de novos artistas e música, os blogs mais uma vez estão transformando o mercado, dessa vez da moda. Além de ter tornado diplomas em jornalismo algo praticamente obsoleto no começo da década, blogs estão gradualmente ficando maiores que a mídia impressa, fazendo com que a moda, sempre tão exclusivista e intolerante, abra espaço pra quem, em circusntâncias diferentes, talvez jamais tivesse acesso.

 

Como no caso do Myspace, o problema, claro, é separar o joio do trigo. Se você aí de casa tiver menos de 25, pertencer a classe alta e ter uma conta bancária á altura, ter uma carreira de DJ paralela ou/e ser amiga de alguém famoso, as chances são que você, muito em breve, vai sentar na primeira fila também e ser The Next Big Thing.

 

Good luck to us all.

 

 

Categoria: Inspiration
 Thais Mendes (glittah)
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