Em uma de suas últimas entrevistas, pra super revista de moda LOVE de fevereiro 2010, Alexander McQueen disse que "quando eu morrer, espero que esse marca continue. Em uma nave espacial. Voando pra cima e pra baixo acima da Terra.” Ninguém imaginava que tal incidente aconteceria tão cedo, dias depois da publicação da revista. Pra alguém vivendo o topo de uma trajetória tão monumental, foi mais do que um choque – foi uma perda irreparável pro mundo da moda.
Os shows de Lee McQueen (Lee era seu nome verdadeiro - Alexander foi ‘inventado’ por sua descobridora, melhor amiga e também tragicamente falecida Isabella Blow, por ter um ar mais aristocrático) era daqueles que qualquer estudante de moda daria um braço pra assistir ao vivo. Mais do que um desfile de roupas, McQueen armava espetáculos mágicos onde as peças eram apenas o canal por onde sua arte se manifestava.
Mas o maior apelo de Lee era que ele tinha conseguido uma façanha rara nesse meio: atingir sucesso comercial e artístico (hell, não há no Reino Unido quem não conheça seu nome, seja ele interessado em moda ou não) sem jamais perder o espírito de anarquismo e rebeldia que chamou a atenção da mídia no começo de sua carreira (com as famosas Bumsters Trousers que mostravam o “cofrinho” de tão baixas). Filho de um taxista que foi parar no universo nobre das maisons parisienses, ele era o Hooligan da moda internacional, um garoto safado produzindo alta-costura – o resumo do espírito Britânico, tradicional e revolucionário, de fazer as coisas.
São vários os momentos que entraram pra história da moda contemporânea: suas passarelas já pegaram fogo, tempestades de chuva e neve, já se transformaram num manicômio em forma de uma caixa espelhada cheia de mariposas, já tiveram robôs borrifando tintas em seus vestido e modelos dançando coreografias ao mesmo tempo engraçadas, atrevidas e muito sexy. Cada coleção carregava uma energia que era típica McQueen, emoção em estado puro apresentadas em cortes e estampas extraordinárias – resultado de anos de técnica apuradíssimas com os alfaiates londrinos de Saville Row.
Agora, só nos resta olhar pra trás e manter o espírito vivo. McQueen vai fazer muita falta porque, nesse meio cruel da moda, são raros aqueles que conseguem unir talento, rebeldia e visão artística de uma maneira tão homogênea e completa como ele fazia.
Abaixo vai alguns dos melhores momentos do gênio – mais o tributo que Lady Gaga, a mais recente musa não oficial de McQueen, fez ontem no Brit Awards.
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.

Esse blog está oficialmente de luto.
Um dos maiores gênios da moda britânica foi encontrado morto as 10 da manhã aqui em Londres, em seu apartamento, aparentemente enforcado.
Alexander McQueen, aos 40 anos, estava no topo de sua carreira e deixou pra trás um enorme legado fashion. Foram inúmeros os momentos de criatividade extraordinária e maestria fashion deixados ao caminho de uma trajetória brilhante e inspiradora.
Uma perda insubstituível. Faremos uma restrospectiva do gênio em breve - por enquanto, deixo o holograma de Kate Moss, desaparecendo como um fantasma no show de outono/inverno 2006, falar por si mesmo.
R.I.P, Lee.
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.
Post rápido:
A semana de moda de Londres está comemorando 25 anos de existência agora em setembro, e celebrações a parte, são 25 anos na linha de frente como a capital da criatividade e rebeldia fashion.
E pra marcar, vou estar fazendo aqui uma série de posts sobre os melhores momentos, as figuras mais marcantes, e os brasileiros que estão contribuindo pra manter essa cidade inovadora, original, e muito inspiradora.
Pra começar, fiz uma seleção de vídeo de alguns do momentos mágicos da LFW, onde moda deixa der apenas moda e vira arte. A começar pelo show futurista e conceitual "Afterwords", de 2000, do designer turco-britânico Hussein Chalayan. Chalayan é o Professor Pardal do mundo fashion, sempre deixando a audiência de boca-aberta com shows onde vestidos robóticos se mexem e se transformam, são iluminados a laser ou são destruídos na machadada (!).
Aqui, ele mostra as mil e uma utilidades fashion da mobília de uma sala.
Outro grande artista da moda britânica é Alexander McQueen. Seu show de 1999 foi encerrado com uma performance brilhante onde a modelo Shalom Harlow é "atacada" por jatos de spray de dois robôs em uma espécie de dança contemporânea.
2008 foi o ano que Prince aterrisou em Londres pra uma maratona histórica de 50 shows - um deles completamente de surpresa na passarela de Matthew Williamson ss08. Com um aviso prévio de poucas horas antes de começar o show, Prince apareceu, sentou na primeira fila, e deixou sua banda invadir a passarela antes de subir e cantar a sua homenagem a modelo Chelsea Rodgers.
Os planos de Prince era fazer um vídeo-clip do momento, e os convidados e cinematógrafos foram proibidos de postar na internet qualquer filmagem do acontecimentos (que certamente seria mais interessante do vídeo medíocre que resultou, mas...vale assistir).
E pra encerrar, dois vídeos do evento Fashion Rocks de 2003, onde duas lendas da música, Grace Jones e Bjork, dividiram o palco e vestiram as criações de Stella McCartney e Alexander McQueen.
Tem mais, claro. Aguarde.
I love you honey, I think you're a terrific girl, but you have clothes like a f•ckin' d•ckhead.





