Muito normal hoje em dia ouvir novas versões de hits batidos da house de 10, 20 anos atrás. Porém sempre há uma forma diferente de ressuscitar essas tracks, ainda mais em se tratando de faixas que ficaram limitadas às primeiras cidades e pistas onde elas primeiro foram tocadas. Refiro-me àquelas primeiras faixas da house music que não tivemos oportunidade de ouvir ou dançar aqui na terra brasilis.
O primeiro exemplo de como renascer um clássico de forma original foi justamente o remake faixa considerada o ano zero da house music, Your Love de Frankie Knuckles e Jamie Principle, lançada em primeiro numa fita cassete em 1984 mas que ganhou vida em vinil 2 anos depois.
Os Friendly Fires, mostrando as influências, a transformaram numa bela versão indie rock em 2006 (!).
Outro clássico dessa fase inicial da house music é It's Allright (1987) de Sterling Void que ainda nos anos 80 ganharia versão um pouco mais polida dos magos do pop eletrônico Pet Shop Boys.
O que me leva à versão "fim de festa" dos Hercules & The Love Affair editada no álbum deste ano sintomaticamente chamado Blue Songs e que muito apropriadamente encerra o long play. Original e improvável, deve ser boa de ouvir em dias chuvosos...
Calorão né? Até na usualmente escandinava Curitiba passamos fácil fácil dos 30 graus nestes dias do "verão da chuva". E finalmente, eu diria. Como disse um amigo esses dias no Twitter, cansei de brincar de chuva.
Então 3 notas rápidas pra animar esse começo de fevereiro:
- Eis que a Vibe volta em março (ainda sem data definida). Parece que a reforma total chega ao fim, com o interior todo pronto e só alguns toques pra finalizar na parte exterior. Falaremos mais sobre nas próximas semanas.
- Barcode é o novo espaço que deve inaugurar em março também, na rua Jaime Reis no Largo da Ordem. O lugar é do mesmo proprietário do clube gay Box e deve ser voltado para o mesmo público, abrindo a princípio nas sextas com programação diferente do "bate-cabelo" que assola os clubes gays em geral. Amém.
- Ponta Grossa, minha nossa. E não é que a cidade conservadora dos Campos Gerais (mais ou menos) vizinha à capital paranaense também tem suas subdivisões musicais se consolidando? O clube Deck (Balduíno Taques, 1234) é o primeiro espaço assumidamente gay a pegar de fato na área, já completando quase 2 anos. Musicalmente nada muito animador, com muita pop de FM e "bate-cabelo"/tribal house, mas já é um começo (nunca esqueço que o clube Época de Curitiba, o primeiro a tocar música eletrônica a noite toda, era assim também).
E agora indies e fãs de electro-rock tem no Lola Café (R. XV de Novembro) um bom ponto de encontro também. A programação musical é feita entre amigos e pelo próprio staff do bar num clima de bagunça, o "sound system" é nada mais nada menos que um som caseiro distorcido de tão alto, o povo fica o tempo inteiro sentado na calçada e está feito um novo point legal. Uma coisa James/Funhell, manja?
O
projeto Curitiba Sônica inicia 2010 com mais dois shows gratuitos no
TUC. Na sexta-feira (15), a banda Lasttape faz sua estreia nos palcos e
grava ao vivo o seu primeiro registro fonográfico. No sábado é a vez de
Koti e os Penitentes se apresentarem no CS.
Lasttape
é mais um desses novíssimos nomes de Curitiba que irá gravar seu
primeiro registro fonográfico. As composições brincam bastante com
texturas e colagens de sons, vozes e ruídos que “abordam com clareza
temas pesados inerentes ao ser-humano”. A banda é uma das surpresas do
projeto.
E
no sábado, Koti e os Penitentes. Dono de um dos trabalhos mais
elogiados na recente produção curitibana, Koti (também conhecido como O
Lendário Chucrobillyman) recebe Maestro Alexandre, Juliano Cocktail,
André e Marcus Gusso para soltar seus lamentos em todo um universo
criado para embalar suas composições. Trilha sonora de filme do
Tarantino (ele só precisa saber disso). Mendigos, marinheiros, mares,
trens, espiões, sereias, bandoleiros… personagens encontrados no disco
“Caído na Sarjeta” (2008), que acabou entrando em algumas listas de
melhores da década.
Serviço:
Show: Lattape e Koti e os Penitentes
Data: 15/01 e 16/01
Horário: 20h
Local: TUC
Endereço: Galeria Julio Moreira – Largo da ordem
Tel. 3321-3312
Entrada franca
A próxima edição do Curitiba Sônica promete ser, no mínimo, performática.
Subbúrbia leva para o palco do TUC toda a energia de suas apresentações,
recheadas de sintetizadores, distorções, contorções e cores. Formada em 2007 e
com uma das carreiras mais bem sucedidas entre os nomes de sua geração,
Subbúrbia é a terceira banda que se apresenta no projeto.
Formada pela dupla nipônica
Naomi e Mel (guitarra e bateria), junto com as atuações sem limites e E1000
(vocal) ao lado de Ozz (baixo) e Ernani (sintetizadores), o Subbúrbia aposta em
sons gringos, antenados em tendências de misturas e referências espertas.
Batidas marcantes de uma disco-punk
atualizada, embalada pelo exagero da new
wave e sujeira dos anos 90. Parece mentira, mas soa muito 2009.
O grupo chega no Curitiba Sônica de uma trajetória bem interessante de divulgação do trabalho. Lançou um EP homônimo em 2008 e continua os trabalhos com um registro de remixes, o “Da-da-da-dance” de 2009. Atualmente, está na produção do EP “John D. Rockefeller”. No meio disso tudo, participou do festival Demosul e foi uma das bandas escolhidas para tocar no programa “MTV Procura: Cachorro Grande”. Sábado você terá oportunidade de conferir o resultado dessa história, e a entrada é franca.
Mais
informações:
www.curitibasonica.com.br
Serviço:
Show: Subbúrbia
Data: 10/10
Horário: 20h
Local: TUC
Endereço: Galeria Julio Moreira - Largo da ordem
Tel. 3321-3312
Entrada franca
Ainda estou tentando digerir o disco Intimacy, lançado às pressas pelo Blocparty há algumas semanas. Até agora, achei quase no mesmo nível (fraco) do A Weekend In The City. Mas, felizmente, parece que a banda tem mais bala na agulha. Hoje liberaram o clipe da faixa "Talons", o novo single a ser lançado. Gravada durante as sessões de Intimacy, a música segue a idéia do álbum em fazer faixas dançantes. Mas "Talons" tem mais guitarras e mais vibração. Gostei. Dance-rock menos afetado que as demais faixas do álbum, mas mantendo as confissões de Kele Okereke: "I have been arrogant, I have been wicked."
O novo single do Bloc Party, "Mercury", sai hoje na Inglaterra (os EUA terão apenas a versão digital). Já o restante do planeta vai ouvir através dos meios normais de se conseguir essas faixas. O lado B traz dois remixes: um do Flosstradamus (?) e outro do CSS. Algum figura usou a versão do Cansei no Audiosurf, e o resultado você confere abaixo.

Yo! Sábado tem festa na Vibe para "inaugurar" a página do Myspace e a página oficial do Ourgang FM - banda do amigo André Sakr juntamente com o DJ e vocalista Alec Bang e com o baixista Tile Douglas (os três "marrentos" em pose de Beastie Boys da foto acima). Para os não iniciados, eles fizeram parte da ESS, uma das bandas paranaenses de maior "rodagem" no cenário independente nacional.
O Ourgang fez apenas um show para definir a formação (foi na Digital Rock, em outubro do ano passado). Agora, depois de quase um ano de produção silenciosa, a banda jura que tem uma coleção de músicas, de onde extraiu 13 faixas, que começam a ser lançadas a partir de 26/07, de forma gratuita, sempre pela internet.
O som? Eu vi o show e já ouvi uma demo, mas deixo a definição pro André, dono da bagaça:
"Pop pra dançar. É musica eletrônica, mas com arranjo, melodia, tocada com instrumentos de verdade. Vai da levada oitentista ao New Romantic, tem muitos elementos e timbragem analógica agora que conseguimos comprar uns sintetizadores de verdade lá fora. As primeiras músicas foram feitas somente no computador. Vai ser bacana perceber essa diferença."
Sobre a estética da banda:
"O foco é no som. Quando houver estrutura pra montar tudo que queremos, é claro que vamos montar. Mas se precisar tocar no chão sem nada a gente toca e se diverte a valer também. A Banzai [produtora] sacou logo de início o conceito e comprou a idéia. Eles estão produzindo os vídeos e sempre ajudam a dar alguns rumos na produção."
Diferença da discotecagem e do ao vivo:
"Na discotecagem a gente separa um monte de clássicos, bases novas e idéias que temos de remixes, levamos tudo em CDR e vinil junto com um sintetizador, microfones e um laptop com algumas coisas nossas. Assim a gente molda a pista de acordo com o clima na hora e consegue dar uma cara de set de radio ao vivo. Fica bem dinâmico e o público assimila bem. Ao vivo é banda mesmo. Bateria acústica, baixo, guitarra, sintetizadores, vocais. Tem bases do live rodando junto, tem bem mais peso e interação. Os sets são legais, mas o que a gente gosta mesmo é tocar ao vivo."
Para o segundo semestre, estão previsto o lançamento de um video-clipe e de um single. O vídeo será produzido em stop-motion (quadro a quadro) a partir de pinturas de rua realizadas umas sobre as outras, com direção e produção do Antenado Crew da Banzai Studio. O single, "Eddie Murphy", virá acompanhado de remixes do prodígio curitibano Boss in Drama e de outros convidados especiais. A agenda da banda já aponta para shows em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Florianópolis, Brasília e Porto Alegre.
Festa
Sábado (26/07), a Vibe recebe o projeto Rockindahouse (do amigo e co-blogueiro Raul Aguilera), com o DJ ZEGON e seu internacional projeto N.A.S.A. Ele tem a missão de preparar o público para o Ourgang FM. Estendem a pista até o dia raiar os DJs e mentores da festa Raul Aguilera e Digão Underdog.
Lista (válida até 02h00) : rockindahouseparty@gmail.com
Foto: Márcia Bley




