"Enterrado Vivo" é um mistério pra mim.
O filme passou em Sundance ano passado e foi mega incensado. Custou muito pouco e foi vendido por bastante dinheiro. Enrolei muito pra ver porque sempre fico com o pé atrás nesses casos ( é só lembrar de "Atividade Paranormal" ou A Bruxa de Blair").
Bom, finalmente vi e o filme não é dos piores.
Em quase 2 horas vemos o drama e o horror passados pelo personagem de Ryuan Reynolds, enterrado vivo em algum lugar no meio do Iraque. Ele é motorista de caminhão trabalhando na guerra pra uma empresa americana e numa emboscada é capturado por iraquianos e só vão divulgar sua localização em troca de alguns milhões de dólares.
Ele é enterrado num caixão de madeira tosco com um telefone celular, um isqueiro, lanterna, um pouco de água e seu remédio. Bonzinhos os sequestradores, né? Mas tudo tem uma intenção.
Ao longo do filme ele fala com um iraquiano, com um cara do FBI que se perde no meio da burocracia, com secretárias eletrônicas e vai tentando sobreviver debaixo da terra. E mais que isso não posso falar.
Só digo que o filme é bem feito, a fotografia é das melhores e Reynolds está bem ( e eu achava que ele só funcionava sem camisa com uma luz boa, me surpreendi).
O filme é espanhol e o esperto diretor Rodrigo Cortés pegou um ator famoso, rodou em inglês e pimba, se deu bem. Agora ele ta filmando com a Sigourney Weaver e o Robert DeNiro!
"Dead Snow" é um daqueles filmes de amigos que vão passar o final de semana em algum lugar isolado sem celular nem comunicação, nesse caso uma casa no meio de uma montanha cheia de neve no interior da Noruega.
Como um dos personagens do filme diz, isso não pode dar muito certo.
Na primeira noite eles recebem a visita de um local que diz que eles não sabem onde se meteram, que o lugar é povoado por fantasmas da Segunda Guerra Mundial e explica: aquela montanha foi tomada por nazistas por ficar entre a Alemanha e a Rússia mas os moradores locais conseguiram dominá-los e prenderam os alemães e os mataram todos.
Só que aos poucos os amigos descobriram que os soldados não foram mortos, mas viraram zumbis e aos poucos vão atacando o grupo.
O filme é ótimo, muito divertido, com piadas boas, elenco bacana e o que eu mais gostei é que os amigos do grupo não são adolescentes, dando um tom menos besta ao filme. Em alguns momentos até, o filme fica mais "sério", mas o tom da farsa é o que permeia o filme inteiro.
Sucesso em Sundance do ano passado, "Dead Snow" tem pelo menos uma cena já clássica: a do ataque dos nazistaas zumbis ao som de Tchaikovsky, numa montanha coberta de neve, com muito vermelhor de sangue e cinza dos uniformes puídos, lindo!
"Animal Kingdom" é um filme australiano com cara de brasileiro. Não, calma, vou explicar.
"Animal Kingdom" é o típico filme que brasileiro gosta de fazer, sobre uma família de ladrões, toda detonada, com um monte de irmãos, alguns ladrões de banco, um traficante, um fugitivo da polícia que vive escondido, a mãe conivente e protetora (o melhor personagem do filme) e a irmã que morre de overdose de heroína na primeira cena do filme deixando o filho sozinho que vai morar com a tal da avó.
Num ambiente super propício como esse, tudo tem que dar errado, certo?
E dá.
Elenco escolhido a dedo, personagens absolutamente plausíveis, texto bom, diálogos ótimos, só que falado em inglês e daí um filme australiano ganha o festival indie americano mais conceituado.
O filme é punk, sem concessões, pesadão e muito bom. O único problema é que obviamente não deve passar por aqui, então, de novo, viva o torrent.
Imagine um cara de 24 anos que more em NY, fotógrafo, tem um escritório com o irmão mais velho e o sócio dele que são cineastas.
O tal do fotógrafo um dia recebe pelo correio uma pintura que uma menina de 8 anos de idade tinha feito a partir de uma de suas fotos. Ele entra em contato com a família da menina via Facebook, eles moram longe, ficam amigos e a menina continua usando fotos do cara como base de algumas de suas pinturas.
Ao mesmo tempo, os dois cineastas vão filmando essa história onde as coisas aconteciam via internet, telefone, IM, email e correio.
O tempo vai passando, ele vai ficando mais íntimo da família da menina, conhece o irmão dela, conhece os pais, conhece a irmã de 19 anos, tudo virtualmente.
Eis que o fotógrafo, 24 anos, bonitão, mora em NY, tem um trabalho bacana, se apaixona pela irmã de 19 anos, que é uma gata e se joga pra ele, dizendo que não vê a hora de encontrá-lo, de dormir junto e ele s e entrega também.
Um dia ele recebe um email dela com uma música que ela tinha feito pra ele. Ele ouve, fica emocionado, e recebe mais algumas músicas dela. Até que uma dessas canções lhe soa familiar e ele acha via google a música que não é dela.
A partir daí, ele acha que alguma coisa está errada e decide ir atrás. E a merda atinge o ventilador, numa tradução literal de um termo inglês.
Isso é o início de "Catfish", documentário que saiu queridinha de Sundance desse ano. E o filme é bacana, até que o autor de uma das músicas que a tal menina de 19 anos faz a cover resolve cobrar os direitos autorais pelo uso de sua canção porque ele tinha liberado para o uso em um documentário, mas ficou sabendo que o filme na verdade é uma grande mentira.
E a merda atinge o ventilador pela segunda vez agora no mundo real, e não mais no virtual.
Claro que esse é um dos filmes que não passaram por aqui e provavelmente não vão passar, mas baixem, o torrent é fácil e rápido, vale a pena.
E na minha opinião, tudo é muito forçado demais, parece meio encenado demais.
Daí o filme acaba valendo como um documento dessa era bizarra internética onde um cara "cool" se apaixona por uma caipira bonitinha e sensual mas que mora a milhões de km de distância sendo que ele mora na esquina do mundo!
Depois de ter assistido "A Rede Social" ontem, ver um filme onde o próprio Facebook tem o papel mais importante da história veio a calhar.
p.s. - o trailer é outro truque, mas é o oficial.
Tô doido pra ver esse filme. Passou em Sundance e todo mundo fala bem. Será que passa por aqui?
Ryan Reynolds é um motorista no Iraque e seeu camboio é atingido e ele é preso num caixão com uma lanterna, um celular e...
(Reparem em todas as referências a Hitchcock.)
Ontem começou na fria Utah nos EUA o Sundance Film Festival, aquele criado pelo Sundance Kid Robert Redford e que mostra o que de melhor se faz no cinema indie americano e pelo mundo afora.
Selecionei alguns trailers do que parecem ser grandes filmes que fazem a estreia por lá.
THE VIOLENT KIND: parece mais um filhote de "Laranja Mecânica", com uma vibe de "Violência Grratuita". Não tem um trailer propriamente dito, mas teasers que já assustam.
EXIT THROUGH THE GIFT SHOP: o filme onde o Bansky aparece! Tá sendo alardeado "secretamente" como a grande coisa do festival desse ano, o que eu acredito que seja mesmo. Um documentário sobre grafiteiros onde o famoso e misterioso inglês fala pela primeira vez a uma câmera. O slogan do filme é "O primeiro filme catástrofe sobre street art." O trailer é bem bom e confirma esse lado "cômico".
THE RUNAWAYS: O filme da Joan Jett, dirigido pela mestra dos clipes Floria Sigismondi e estrelado pelas "gatinhas" Dakota Fanning e Kirsten Stewart. Promete!
Tem ainda HOWL com o James Franco, contando a história do início da vida do Allen Ginsberg com elenco bem bacana; WELCOME TO THE RILEYS com o James Gandolfini casado que se apaixona por uma striper de 15 anos vivida pela (de novo) Kirsten Stewart; HESHER com Joseph Gordon Levitt e a Natalie Portmann; o documetãrio novo do José Padilha THE SECRETS OF THE TRIBE que fala de ianomâmis; e o mais esperado de todos por mim, o novo filme do mestre Michael Winterbotton, THE KILLER INSIDE ME, baseado num livro do mestre do policial Jim Thompson. Can´t hardly wait.
Um filme de terror que estreou no festival de Sundance esse último domingo, "Grace", tem o trailer liberado. Uma criança nasce e se alimenta de sangue. Ui! Será que o povo desmaiou por que o filme é muito bom ou muito ruim?




