Lembra que eu falei aqui eu "Burlesque" era o pior filme do ano, né?
Pois é, "Tournée" é um filme francês sobre dançarinas de burlesco também, só que o oposto do filme da Cher. É bom!
Muito bem dirigido, com uma história bacana, sem firulas, parece um documentário por vezes, "Tournée" mostra uma troupe de dançarinas viajando pela França apresentando seu espetáculo.
Só que elas não são ricas e lindas e magras, são mulheres de verdade, personagens profundas e o melhor, as meninas são dançarinas de burlesco de verdade.
Vi na Mostra de SP e torci pra que fosse comprado e a Imovision nos fez esse favor. O filme é obrigatório, principalmente depois do lixo do filme americano.
Esse é um filmão francês no melhor dos sentidos, muito falatório, muito drama, elenco fantástico e o melhor, com um final lindo. Super bem dirigido, premiado no Festival de Cannes de 2010, super recomendo mesmo!
Pra animar, vou dar 5 pares de convites pra ver o filme que entra em cartas no Reserva Cultural. Quem ganhar tem que ir buscar os ingressos na distribuidora. Os 5 primeiros que pedirem ingressos nos comentários levam!
Começou na última sexta feira a 33a. edição da Mostra de Cinema de São Paulo.
E eu comecei a me jogar e comecei bem.
Coincidência ou não, no ano passado, na primeira sexta feira, eu assisti o filme que mais queria ver e relaxei: depois de "Deixa Ela Entrar" o resto foi o resto, apesar de coisas boas.
Esse ano não foi diferente: "A Fita Branca", do melhor de todos Michael Haneke, vencedor do Fetival de Cannes desse ano, foi uma aula de sutileza. Um dos filmes mais violentos de todos sem mostrar uma porrada sequer, mas que te deixa inquieto por 2 horas e meia.
Se o Altman fosse austero e austríaco ele teria feito esse filme. Dias antes do início da Primeira Guerra Mundial, num vilarejo dominado por um barão odiado por quase todos que vivem sob suas asas, crueldades acontecem sem que se saibam quem as cometeu deixando uma aura de quase desespero.
Um mestre da sutileza, Haneke não nos mostra o que quer que a gente veja e faz com que o filme seja um exercício para quem o assiste. A luz, a trilha (quando existe), o elenco, a locação, as crianças, as fitas brancas e a notícia do assassinato que levaria a grande Guerra são pistas pra irmos tentando descobrir quem é o vilão de uma história que ninguém é inocente.
Tá, me ausentei, perdi dias de filmes por conta de shows e família mas voltei.
Domingo a noite assisti talvez um dos meus top 5 da Mostra, o belga "Lições Particulares". É a história de um adolescente que vai mal na escola, joga tênis e vai mal no tênis, mora com seu irmão mais velho sem os pais. Quem toma conta dele são uns amigos da família, mais velhos e acabam sendo seus tutores. E não s'ø dando aulas pra ele passar no vestibular, mas ensinando o moleque a vifver e a fazer sexo melhor, já que nisso ele também vai mal.
Contando assim parece meio óbvio besta, mas o filme é de um rigor inacreditável. O elenco é extremamente bem dirigido, todas as emoções e reações são perfeitas. A câmera é de uma precisão cirúrgica, sempre no melhor lugar possível. Todos os planos do filme são sem corte, todos planos sequência. Isso é bem ousado, não deixando muita opção pro diretor arrumar uma cena com um close ou qualquer coisa parecida. Por isso ele ensaiou muito, os movimentos dos atores e de câmera, mais do que o normal, acredito, e tá tudo lá.
O filme levanta uma questão moral importante e "pesada", que eu nnao vou contar aqui, e isso faz com que seja mais absurdo ainda em relação a outros filmes chamados de sérios, porque esse "Lições Particulares" é um filme sério por excelência, no melhor dos sentidos.
Imperdível.
A dupla de filmes de ontem acabou sendo engraçada, 2 filmes não italianos que se passam na Itália. Uma comédia meio besta, bem besta, esse "Made In Italy" que foi total perda de tempo e o filme mais recente do mestre Win Wenders "Palermo Shooting".
"Made In Italy" é a história de um italiano que vive na França desde a infância e com mais de 40 anos, volta ao seu país natal por causa da morte do seu pai. No meio de um monte de confusão besta de ex-esposas do pai, dinheiro devido, carros e imprensa, o diretor tenta (e se prede) discutir a falta de personalidade da Itália atual nesses anos do Berlusconi. Se tivesse se aprofundado um pouco mais, teria se saído bem, mas o filme é raso que dá dó.
Já Wenders vai até Palermo, pra falar de morte, de falta de criatividade, através de um fotógrafo alemão famoso, mega bacana que não sabe se faz fotos de moda pra ser "hype" ou se continua com seu trabalho mais artístico e por causa disso mostrando suas fotos em museus pelo mundo. Sua nova exposição, aliás, seria no MASP em São Paulo, citado o filme todo. Fin, o fotógrafo entra em crise existencial e tenta achar alguma resposta na Itália, onde vai pra fazer uma foto de uma atriz famosa, Mila Jovovich gravidona, mas segundo seu manager, a foto poderia ter sido feita em qualquer lugar, porque mostra a triz numa parede a frente de uma janela. Mas o fotógrafo estrela tenta se justificar e acaba ficando em Palermo pra umas férias. Na cidade ele se sente perseguido por um homem que lhe atira flechas e com a ajuda de uma artista plástica, relaxa e pensa no que está acontecendo ao seu redor. O filme é meio long, mas vale a pena como sempre. Fotografia primorosa, discussões super relevantes, elenco bem bom e o melhor, a trilha sonora, pra variar, é um primor. Wenders é o cara de melhor gosto de todos pra trilhas pop, no nível do Lynch. E nesse filme colocou Lou Reed como um fantasma, além do ator principal que é um rocker alemão bem famoso, Campino. Destaco uma sequência do fotógrafo alemão andando pelas ruas de Palermo e fotografando ao som de Portishead. Lindo!
Bom, o tal fotógrafo encontra a morte e com ela tem uma discussão sobre fotografia, digital, película, morte e vida, saber o que fazer enquanto vivo ou não, num papo muito absurdo e muito relevante pros dias de hoje. Wenders usa a história das fotos digitais sem vida, sem profundidade pra falar de como hoje em dia nossas vidas são super digitais, sem nos aprofundarmos em nada. E de como uma película, com foco e profundidade de campo faz diferença. Esqueci de dizer que no papel de morte tá o Denis Hopper, que me deixou arrepiado o filme todo. O filme é dedicado a Antonioni e Bergman, que morreram enquanto ele filmava. Claro que o filme é mega influenciado por Blow Up, mas também por Hitchcock e por Dali. Só gente boa e por isso tudo, Wenders, do seu jeito faz um filme lindo.
Claro que o filme vai demorar anos pra passar por aqui, tava com legenda eletrônica, mas se der tempo, corram pra ver.
Ah, esqueci de falar, antes da sessão, "por acaso" encontrei com o Win Wenders e bati um papo de 5 minutos com ele. Entrei no cinema chorando!
Assistir no mesmo dia a Juliete Binoche e a Julia Ormond em dois filmes diferentes, bacanas, foi um privilégio.
Binoche loira no filme de Olivier Assayas, "Horas de Verão", filme bem bom do diretor dos filmes que tratam de família e que sempre surpreendem. Nesse caso, a matriarca morre e deixa uma herança quase pesada pra seus 3 filhos já adultos resolverem o que fazer com a história deles. E claro que um segredo vem à tona. Mas o filme é sem dramas, sem desesperos, é o Assayas como nunca tinha visto antes, quase contido, mas alfinetando bem através da empregada que depois de trabalhar pra eles a vida toda, resume o que poderia se esperar que algum dos filhos dissesse. No final das contas o filme mostra mesmo que a França, ou a cultura francesa, já nem existe mais, numa metáfora quase exagerada com os filhos da matriarca morando fora, os netos não se importando com a casa e jogando bola dentro do estúdio "sagrado" da casa. Mas apesar desse "recadinho" do diretor, o filme é fodão. Eu fiquei meio chocado com o ritmo do filme no início, mas logo ele entra num clima bem bom, graças a direção de atores sempre correta. Vale a pena.
Julia Ormond, depois de tempos sem vê-la em lugar nenhum, ressurge ao lado de Bill Pulman no novo filme da filha do David Lynch, Jennifer. Depois do desastre de "Encaixotando Helena", ela demorou tempos pra repensar a vida e fez um filme até que razoável, esse "Sob Controle". Um casal de agentes do FBI, os dois citados ali acima, chegam em uma cidadezinha no meio do nada pra tentarem descobrir sobre uns assassinatos que vêm ocorrendo por lá. Tudo é meio estranho, a trilha é quase fúnebre, ditando o tom do filme, mas a direção ainda tem uma mão pesada, tirando até a atenção devida em algumas cenas cruciais, como no interrogatório da menina de 9 anos. Mas o filme acaba valendo a pena por uma cena de sexo bem no final, genial e ousada até mesmo pra esse filme. E claro que o pai da diretora, David, é o produtor do filme, assim, sua influência é vista ao longo de toda a película. Mas não se deixe enganar pelos créditos iniciais e os animais mortos aqui e ali, apesar do roteiro espertinho, o filme é mais careta do que parece mesmo.
Ontem eu percebi o quanto eu tava com saudade de assistir um filme francesão caretão daqueles que é um casal conversando o tempo todo , saudades do cinemão mesmo, confesso. Vendo "A Fronteira da Alvorada" eu fiquei feliz em perceber que esse tipo de filme, em doses homeopáticas, ainda funciona, ainda mais nas mnaos de um diretor tão competente como Philippe Garrel, que além de tudo, ainda dirige seu filme Louis e perde um bom tempo com o moleque, deixando -o com cara de superstar e fazendo com que ele mostre que é um puta ator mesmo. Amor, relacionamento, sexo, mais amor, piração, doideiras, ruas francesas, elenco lindo, fotografia primorosa, direção de primeira=filmaço!
Isso tudo pra compensar o desastre que foi ver "Morenita", um filme mexicano mal dirigido, com um roteiro fraco, apesar da história ser até interessante. Uma dessas apostas que eu faço todo ano e que erro na mosca. Recomendo que não vejam (feio, eu sei)!
"Tulpan" é um filme russo, delicadíssimo, filmado nas estepes do Cazaquistão. Ganhou o prêmio Câmera D'Or em Cannes esse ano, de melhor primeiro filme de um diretor. Eu não sabia muito a respeito, a não ser isso e durante o filme tive uma surpresa mega agradável: descobri que o filme não é um documentário, mas sim ficção mesmo. Isso me deixou chocado, porque esse é o tipo de filme que o diretor não aparece absolutamente, ele faz questão de se esconder. A câmera fica ali no meio da ação, no meio dos atores e você nem percebe que tem uma câmera ali. E os atores? Parecem que estão lá naquele fim de mundo a vida inteira. A história do filme é a de um jovem, ex-marinheiro, que vai pelass vilas do Cazaquistão procurar uma moça pra casar. Eis que ele encontra Tulpan, que ele não vê, mas se apaixona por ela, principalmente porque ela o rejeita por ele ter orelhas grandes. Ele tenta de todas as maneiras conquistá-la, oferecendo ovelhas, uma casa, e ela diz, através de uma porta fechada, que seu sonho é fazer faculdade e não quer saber dele. Ele vive com a irmã, seu marido e seus filhos no meio da estepe cuidando de ovelhas que morrem quando nascem, mostrando que por ali a vida não tem futuro mesmo, como acredita Tulpan. Mas o marinheiro é teimoso e insiste e sofre e aprende e a gente vai entrando na história dessa família e quando percebi eu estava quase chorando vendo uma ovelhinha nascendo.
Já virei fã do diretor Sergei Dvortsevoy, só esperando seu próxime filme.

Falei aqui antes que um dos filmes que mais queria ver esse ano era esse "Deixe Ela Entrar" e eis que no primeiro dia da Mostra eu já vejo e fico bem feliz.
É um filme sueco, que está indo bem no circuito dos festivais por aí afora. Um filme de vampiro, de vampiro criança, do primeiro amor. Filme (quase) fofo. Na verdade talvez seja o filme de vampiros mais sutil que eu já tenha visto.
O filme conta a história de Oskar, um moleque de 12 anos que apanha direto dos moleques da escola. Um dia ele tá na frente da casa dele, treinando com uma faca pra tentar se defender dos moleques quando aparece uma menina estranha e começa conversar com ele e logo de cara já diz que não pode ser amiga dele. Daí pra frente ela ensina Oskar a ter coragem e diz que pode defendê-lo. E o laço de amizade dos dois vai aumentando, ao mesmo tempo que mortes vão ocorrendo por perto da casa deles. Nós sabelos o que acontece, Oskar quase sabe e a menina não tá nem aí pra quem saiba, ela só precisa se alimentar. Quando Oskar pergunta pra ela se ela é uma vampira, ela só responde que ela se alimenta de sangue. E quando ele pergunta pra ela sua idade, ela diz que tem 12 anos, há muito tempo. E pronto.
O moleque começa a se defender e começa a ficar interessado na menina. Eles conversam por código morse, ela se importta se não estáa cheirando tão mal perto dele. Detalhes que mostram o interesse mútuo. O legal dessa sutileza que eu disse antes é que não necessariamente é pra esconder nada, muito pelo contrário. O diretor faz questão de mostrar o quanto a vampira precisa do sangue e não se importa. E o quanto ela é uma criança só e não toma cuidado nem nada, com odeveria. Ou como a gente acha que um vampiro deveria tomar cuidado ao matar e morder e se alimentar por aí.
Sem crucifixos, nem alho, nem caixão, "Deixe Ela Entrar" faz mais pela mitologia dos dentuços do que o meu seriado preferido hoje em dia "True Blood", onde o tempo todo é mostrado o quanto tudo isso se interliga. O filme deve entrar em cartaz por aqui e é imperdível!





