Enquanto não volto com um filme por dia, tô atrasadaçø, mas essa semana coloco tudo no ar de novo, aqui vai o teaser do novo filme de Almodovar, "La Piel Que Habito", onde reencontra Antonio Banderas depois de 21 anos sem filmarem juntos.
Medo!
Difícil um cineasta que filma tanto quanto Almodovar (ou como Woody Allen) acertar em todo filme, fazer sempre obras primas.
A gente vê isso até no Hitchcock que às vezes fez uns filmes quem ninguém acreditava que eram dele.
Esse "Abraços Partidos" é um desses casos de filme menor ou como preferem os amantes do espanhol, um filme de crise. Mas como qualquer coisa que Almodovar faça é melhor do que quase tudo lançado em 1 ano de cinema, vale assistir.
O filme conta a história de amor de um cineasta por uma atriz, onde a paixão faz com quem ambos se percam e alheios a tudo e a todos, assumem o amor.
Almodovar nunca foi o mais sutil dos diretores e dessa vez não nega e faz com que o diretor fique cego (não de paixão, mas literalmente). Hoje, mês e meio depois de eu ter visto o filme e escrevendo aqui, acho engraçado, mas na hora, hmm, foi difícil engolir o literal jogado na cara.
Outra coisa que faz desse filme um da crise, é o roteiro quase óbvio, onde as surpresas não as são.
Mas duas coisas salvam muito o filme.
Penélope Cruz é a mulher de um milionário que quer ser atriz e por ela este resolve bancar um filme, onde ela acaba se apaixonando pelo tal do diretor. Só que o milionário tem um filho metido a diretor que acaba fazendo o making of do filme numa tentativa do velho ricaço vigiar a mulher. As imagens que o homem assistem não tem áudio e pra ele saber o que acontece, contrata uma leitora de lábios que vai dublando sua esposa. O clima de tensão vai aumentando enquanto vai aumentando sua paixão pelo diretor. As cenas do velho em casa assistindo ao filme dublado são lindas, a melhor coisa do filme com um ápice genial no melhor momento da Penélope no filme.
(Tá, vou ser xingado até a morte, mas eu não gosto da Penélope, acho ela fraquinha e acho que o Almodovar deve sofrer com ela pra conseguir alguma coisa boa. Além de "Volver" e de "Vicky Cristina Barcelona" o resto de seu trabalho é de uma média bem fraca. E nesse "Abraços Partidos" ela tenta, tenta, mas morre na praia).
Bom, a outra parte memorável do filme é o final, numa surpreendente auto homenagem: Almodovar meio que recria a alma de "Muheres A Beira de Um Ataque de Nervos" no filme perdido do diretor cego e a nostalgia de seus filmes coloridos e anfetaminados dos anos 90´s. Foi de chorar de felicidade e de saudade.



