Imagine uma loja onde é possível sublocar pequenos espaços para expor suas criações. Em São Paulo essa loja existe e chama-se Endossa. A loja que nem é tão nova assim, mas seu conceito é tão bacana que não tem como deixar passar batido. A ideia é assim, a loja na realidade não vende nada. Quem vende são as marcas/ empresas que locam um mini espaço na loja. O espaço, localizado na Rua Augusta (São Paulo), é dotado de "caixotes" de diversos tamanhos. Cada um desse caixote é decorado de acordo com o perfil do produto exposto. O mais legal da Endossa é que tem de tudo. Têm joias, roupas, acessórios, coisas para casa e mais um monte de produtinhos bacanas. Assim, toda vez que passo na loja fico um tempão lá dentro, por que tem MUITA coisa para se ver. Separei três marcas que expõem lá, para vocês terem uma ideia da diversidade que rola lá.
A primeira é a En Colores. A marca é também uma loja online, e tem como proposta vender aquilo que gostamos, que não é necessário no nosso dia a dia, mas que compramos mesmo assim. Como por exemplo esse aviãozinho com ar de vintage, da extinta Vasp.
Essa flor felpuda também é um charme, né?
E caminhando em outra direção, tem também os bonecos do modelista Caio Morel. Na Endossa, ou pelo site, dá para adquirir um dos bonecos da série Perturbações. Cada um dos bonecos - que são feitos e pintados à mão - vêm com um capítulo de uma saga criada pelo próprio modelista. Um toy art "true", eu diria!
E se você acha que o espaço na Endossa é só para pequenas empresas, você está muito enganado. A marca de camisetas Mumps também tem seu "caixote" lá.
Infos
Endossa
Terça a Sábado das 10:00 às 16:00
Rua Augusta 1360 - São Paulo
En Colores
www.regalosencolores.com.br
Caio Morel
www.lojacaiomorel.com.br
Mumps
Foram quatro dias de festival aqui em SP, inicialmente eu só ia mesmo no sábado dia de MGMT banda que sou ultra-hiper-mega-über-fã. Mas acho que o Tim esse ano, devido aos altíssimos preços teve que apelar, foi uma distribuição de convites sem fim. Bastava um pedido informal na internet e alguém sempre tinha um convite sobrando, conclusão acabei indo nos 4 dias. Considerações iniciais: O lugar escolhido foi bem bacanam mas ainda não chega aos pés da edição carioca, o som nos 4 dias foi sofrido em diversos momentos, você tinha que ficar num lugar específico da arena pra não adquirir uma surdês precoce, no Dan Deacon foi foda, acordei no dia seguinte com a maior dor de cabeça. Mas enfim, Kanye West foi Xou da Xuxa con direito a Godzilla, Gogol Bordello foi tipo o show que o Jack Sparrow teria pirado, Dj Yoda foi o melhor set, que eu não vi por sinal. Klaxons foi bem bacana pra quem não é fã ddos exageros dessa nova safra de remixes, foi um show de guitarras marcantes. the National foi um ótimo show, uma ótima banda, mas infelizmente não sou fã do som deles. Ah e claro, o MGMT quase botou o chão da arena abaixo. Fazia tempo que eu não presenciava uma catarse não-teen nos últimos tempos.
Mas vamos ao que interessa? Sim, fotos! O que o povo vestiu? Cara, o povo abraçou MESMO essa coisa anos 80 over de cores, de estampas, de óculos... Mas tinhas uns hippies perdidos lá no meio tbm.


















Inaugurou em setembro em São Paulo a filial brasileira da rede norte-americana American Apparel. Pra quem não conhece, a AA é uma marca que existe desde 2000, fundada pelo canadense Dov Charney, que já nasceu com valores de sustentabilidade intrínsecos e é hoje um dos maiores sucessos mundiais a curto prazo no mundo. A AA ficou conhecida nos EUA pelas campanhas que incitavam o teor sexual, pela qualidade das roupas (que são todas produzidas em Los Angeles) e pelo ambiente de trabalho easy going, algo raro
na área de moda.
Fui até a nova loja localizada na rua Oscar Freire para conversar com a responsável pela loja, a Thais Lima. Devo confessar que esperava uma loira peruassa, deslumbrada com moda e com a marca que chega ao Brasil. encontrei o oposto: a Thais é super low profile, toca a loja com a sua irmã (também funcionária da AA), a Dijane. E, numa conversa relaxada, me contou diversas coisas bacanas sobre a marca e a vinda da loja no Brasil.
Como foi a vinda da loja no Brasil?
Na realidade foi uma "sementinha que plantamos" com o Dov. Há aproximadamente 4 anos já existe a idéia de vir para o Brasil, São Paulo especificamente. Mas achávamos que nem a AA e nem o Brasil estavam preparados. Fora que existe toda a burocracia de trazer artigos importados para o país, e pensávamos que ia ser uma dor de cabeça. No final das contas foi bem mais fácil do que imaginávamos, a idéia se concretizou e o Dov acreditou na gente, apostou na idéia de abrir uma loja aqui.
Existe a idéia de abrir outras lojas pelo país?
Ainda não sabemos.
Até existe a questão do preço, pois todos sabemos que o imposto cobrado sobre artigos importados deixam o valor final muito alto...
Exatamente, e nossa idéia não é ter um valor inacessível. Isso é um dos valores da AA, não queremos ser uma empresa com um produto sustentável para poucos. Nos EUA funciona muito melhor que aqui, por conta dos altos impostos brasileiros é inevitável que o valor aumente, mas não queremos ser inacessíveis. Mas mesmo assim temos muitos produtos que, comparado aos concorrentes daqui, o nosso é mais barato.
Justamente, o tempo que fiquei passeando pela loja, enquanto esperava a Thais chegar para a entrevista dei uma olhada nos preços. Algumas coisas são sim caras, mas não inacessíveis. Do tipo, uma meia calça com uma perna de cada cor, que, vale lembrar, NÃO EXISTE no mercado nacional, sai por 47 reais. Caro? Sim, mas não é algo que não se possa sonhar em comprar... Ainda mais quando tive a curiosidade de abrir o pacote e ver que o tecido da meia calça é realmente superior ao encontrado nas marcas especializadas em meias daqui. Aliás no quesito meias, as meninas podem ficar horas tentando se decidir na loja o que levar: tem uma infinidade de modelos de meias calças, meias comuns, polainas, etc. A meia básica branca, com listras nas cores tipicamente americanas (vermelho e azul) são bem diferentes do que vemos aqui por aqui. A Thais me contou que as meias são produzidas na fábrica deles mesmos, que a produção não é terceirizada (a terceirização de artigos como meias é comum no ramo) e que um dia o Dov cismou de comprar máquinas de fazer meias, numa viagem com ela para NY, simplesmente sacou o telefone e solicitou o maquinário. Ela contou também que o Dov é assim, trabalha com todos a sua volta, ouve as sugestões e idéias de todo mundo e aposta nas idéias.
Como é trabalhar na AA?
A empresa já nasceu com o lema de sustentabilidade, mas sustentabilidade não é só "reciclar", não adianta ser uma empresa sustentável...
... e os funcionários serem infelizes?
Isso! Então existia um departamento focado em como trazer essa "sustentabilidade" para funcionários. Em determinado momento existiu uma campanha para os funcionários irem trabalhar de bicicleta. A família do Dov é toda ligada ao meio artístico, eles possuem diversas obras de arte e eles não sabiam o que fazer com aquilo tudo. Colocamos tudo na fábrica, montamos algumas instalações e até demos uma festa de inauguração desse projeto. Isso deixou o ambiente bem mais legal.
Eu havia lido em algum lugar que só trabalhavam funcionários americanos, como é isso?
Não... onde você leu isso? Aliás a mídia fala muita coisa que não é verdade... Um jornal grande veio aqui, não conversou com ninguém e publicou uma reportagem só falando mentiras, preços incorretos, etc. Fiquei chateada. Mas respondendo você: não, trabalham pessoas do mundo inteiro na empresa. E tudo é interno, o site é feito por funcionários, o layout, a arte gráfica tudo, até as fotos.
Eu ia te perguntar isso, pois as fotos de "campanha" do site de vocês parecem feitas com pessoas comuns, é isso mesmo?
Sim, essas pessoas são escolhidas aleatoriamente, de repente eu posso estar na rua andando e eu vi você. Se eu achar que você é uma pessoa legal de fotografar te chamo, fotografo e você ganha cinquenta dólares a hora. Até o fotógrafo é algum dos funcionários, nunca contratamos um fotógrafo. O próprio Dov já fotografou, eu já fotografei. Acho bacana o outro lado, das marcas que usam modelos de verdade, como a Gisele Bündchen, mas não pagamos cachê como o dela que é muito mais que 50 dólares a hora.
E quem vocês querem atingir como consumidores?
O público jovem. Mas aqui está acontecendo uma coisa "engraçada": muitas senhorinhas do bairro estão amando a loja e já estão freguesas.
Que demais!
Sim, é inusitado!
E as coleções, como funciona?
Não temos coleções, temos uma equipe de estilistas. Eles vão fazendo e se for algo legal aí entra em produção e vai pras lojas. Isso é bacana, pois tem a 2001 que é a camiseta básica e se daqui a 10 anos você quiser comprar a 2001 de novo, você vem na loja e vai ter, a maioria das cores são sempre produzidas. Só saem de linha se realmente não estiver tendo saída em todas as lojas. Coisa que não acontece na Hering por exemplo.
Muita gente compara a AA com a Hering, vocês consideram eles concorrentes?
Talvez. O histórico das duas é muito similar: começamos como produtores de camisetas para o varejo e agora temos lojas próprias. Mas enquanto a Hering se preocupa em ser a Abercrombie brasileira (é só ver o novo layout das lojas) nós nos preocupamos em ser atuais.
Pois é, uma passada pela loja e você consegue montar um look pro dia que serve também pra noite. Com peças relativamente básicas como leggings, vestidos tubinho, tops e etcs, a AA se destaca pelos tecidos diferenciados, metalizados, holográficos, lycras ultra-brilhantes em diversas cores. Não é a toa que no último ano, a legging de lamé brilhante se tornou hit nas baladas do mundo inteiro. Todos os editoriais de moda traziam a legging de lamé preta, prata ou em qualquer outra cor existente. Na noite paulistana basta ir ao Glória pra ver a AA presente entre os chamados "fashionistas".
Headbands com tecido holográfico
Headbands de elástico
As "famosas" leggings
Kit de cintos
Pros meninos tem jeans com lavagens diferenciadas, camisetas de todas as cores possíveis, jaquetas corta vento... tem de tudo mesmo, até infantil, bebê, moda praia e acredite, roupa pra cachorro. A loja é um grande magazine de roupa, com qualidade, nada de made in China, trabalho escravo, etc. Recomendo dar uma passada, nem que seja pra conhecer, faz tempo que não temos um conceito de magazine (por mais que seja de fora) bacana no Brasil.
American Apparel
Rua Oscar Freire 433
São Paulo - 01426-901
Tel.: (11) 3081-8422
Colaborou: Gaía Passarelli






