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Meninas do Grime
04.12.09 19:43

Ikonika e Cooly G colorem selo londrino Hyperdub com ótimos climas e batidas

 

cooly_g
Cooly G

 

 

Kode9, The Bug, Burial, Mala, Zomby e King Midas Sound têm pelo menos duas coisas em comum: são produtores que foram consagrados no selo Hyperdub e são todos homens.

A presença masculina nas áreas de produção de música eletrônica e principalmente nos estilos ligados ao grime, 2-step e dubstep não é nenhuma surpresa e já nos acostumamos. Parece até que foi feito para ser assim.

 

A boa notícia é que o selo Hyperdub, fundado e administrado pelo escocês Kode9 está investindo em duas jovens produtoras: Cooly G, que já havia anunciado na mídia no primeiro semestre que iria trabalhar com o selo e logo depois lançou lá seu primeiro EP "Narst/Love Dub", e Ikonika, que acaba de lançar mais um EP ("Sahara Michael/Fish") pelo Hyperdub.

 

 

cooly-g

 

Cooly G, em todas as matérias em que aparece, faz questão de mostrar que sabe o que está fazendo (e bem). Seu tech-house com inspirações do dubstep e 2-step têm linhas de sua própria voz, além de ser totalmente programado e produzido por ela. A produtora de 27 anos que cresceu em Brixton sempre se gaba de seu conhecimento técnico e sua capacidade. Manobra estratégica? Sim e reconhecida. Ela até já ministrou um curso de música e tecnologia em uma faculdade inglesa depois de gravar diversos artistas do início da cena grime.

 

Flash Content
Cooly G - Dis Boy Pt. 4 (mp3)

 

Faixa do primeiro EP lançado pelo Hyperdub:

Flash Content
Cooly G - Love dub (refix) (mp3)

 

ikonika

 

Cooly G contando vantagem

A londrina Ikonika (a.k.a Sara Abdel-Hamid) utiliza o esqueleto do dubstep e faz um belo trabalho de timbres, harmonias e melodias, que às vezes parecem feitos de bleeps meio instáveis, meio derretidos. A menina com seu talento caiu nas graças de Kode9 em 2007 e agora da revista britânica The WIRE. Parece um ótimo começo, não?

 

Flash Content
Ikonika - Please (mp3)

Flash Content
Ikonika - Fish (mp3)

 

Ikonika está preparando seu primeiro álbum que sai em 2010 e torce o nariz quando lhe perguntam sobre ser mulher no meio da cena "cueca"do dubstep. Ela diz que comparado ao metal, gênero que adora desde a adolescência, o dubstep é "um ursinho de pelúcia" e que não pensa nisso quando compõe suas faixas.

 

Mesmo que Ikonika evite essa discussão e Cooly G a utilize em seu favor, será muito legal ver essas meninas fazendo alguma diferença na cena. O documentário Dub Echoes do brasileiro Bruno Natal, apesar de ter conseguido (quase heroicamente) reunir pessoas-chave para falar do nascimento e consolidação do dub, não mostra uma mulher sequer para contar a história do gênero. O trailler já mostra o drama:

 

 

Dub Echoes

 


Tomara que com a história do dubstep seja diferente.

 

 

Ikonika

 


Vivian Caccuri
Vivian Caccuri
comentários
4 comentários
Degásperi Netto
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Apesar de não ser grande conhecedor deste som. Gostei muito do som das meninas. Estão de parabens, vou pesquisar um pouco mais.

Flws
Keyler Oliveira
Keyler Oliveira(07.12.09)
0AprovadoQueima
Esse estilo das faixas da Cooly G está sendo chamado de UK Funky. tech-house passa longe.
Pra entender melhor, vale a leitura da matéria da xlr8r sobre o termo.
http://www.xlr8r.com/features/2009/09/mutant-funk

Gostei da sua matéria. Só poderia ter evitado "O trailer já mostra o drama".
Vivian Caccuri
Vivian Caccuri(04.12.09)
1AprovadoQueima
Oi Rodrigo, não existe nenhum sexismo aqui. O que levanto sobre o Dub Echoes é uma questão de perspectiva. O documentário não conta apenas a origem do Dub. Ele vem até os dias de hoje com Kode9, 2manyDj's e outros. Ainda assim, não há mulheres mencionadas ou entrevistadas. No dancehall e no reggae houve muitas, Jean Binta Breeze, Lady Ann, Marcia Griffiths, etc. Será que isso não deveria ter sido mencionado em algum momento? E quem faz dub e derivados hoje, como Warrior Queen, as duas moças que eu menciono no meu artigo ou as muitas artistas de Dub Poetry desde os anos 70? Uma única referência a elas evitaria a impressão que eu tive ao assistir o filme, de que é uma lacuna. Levantei isso porque considero o documentário do Bruno importante. E sim, seria ótimo conversar com ele para saber mais sobre isso! O raurrl facilita essas discussões... Abs!
Rodrigo Miravalles
1AprovadoQueima
Esse último parágrafo... Está soando sexista. "O trailer já mostra o drama"... Forte essa.
Olha, as mulheres podem ocupar todos os setores da cultura e produzir coisas incríveis. Precisamos, no entanto, admitir que no dub a participação delas foi inexistente. Eu pelo menos estou aqui puxando pela minha memória e não estou conseguindo me lembrar de nenhuma.
Acho melhor perguntarmos pro Bruno por que ele não colocou nenhuma mulher no documentário. Resolvermos esse drama.