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Baja California
12.11.09 15:30

Como meninos das fronteiras entre México e EUA estão reinventando seu pop.

 

myspace.com/unsexynerdponi

 

Estereótipos do México correm soltos nos filmes, comerciais e imagens sem darmos muita bola para o que significam. De vez em quando até nos fazem achar que conhecemos alguma coisa daquele país. Mas como estamos longe de saber tudo sobre o México, deixamos essas imagens de lado para conhecer um pouco de sua música independente.

 

Esses são alguns artistas que fazem um som dançante e semi-eletrônico em uma das áreas mais interessantes da América: as cidades entre México e Estados Unidos. Tijuana, Chula Vista e Jalisco são lar de uma juventude que não ignora mais sua cultura popular. Pelo contrário: quer misturá-la com tudo que existe de legal na música indie e eletrônica.

 

Mexicanos Legais

 

María y José

Ser autêntico é vital para as bandas pós-internet que querem durar mais que um hit. Aquilo que é "novo" ou "do momento" pode até dar uma boa popularidade para um artista ou banda por um tempo, mas falar em "autêntico" é outra coisa. Como é que um artista hoje pode buscar "originalidade"? Pergunta que dá para quebrar a cabeça.

 

Já faz alguns anos que se falam naqueles novos gêneros de música eletrônica: baltimore club, dubstep, baile funk, cumbia, kuduro, bubbling. Eles foram várias vezes colocados em uma só categoria chamada "globaltech" ou "ghettotech" ou até mesmo "global ghettotech" (!!), você escolhe qual a menos pior. O que os artistas desse artigo não gostam de "globaltech", explicam, é que o conceito soa como um deja vu da "world music". Aquela ideia da world music nos anos 80 era simples: tudo que não era da indústria fonográfica principal ( então norte-americano ou europeu) podia talvez (e põe muitos talvezes) encontrar um lugar no mercado como "world music". 

 

Mas - como tudo não é 100% ruim - essas categorias podem abrir algumas portas. Foi procurando ritmos locais reinventados como música eletrônica para dançar que Los Macuanos e María y José nos chamaram atenção na rede. Os dois projetos são formados por meninos de entre 20 e 22 anos com algo em comum: são tanto do México quanto dos Estados Unidos. Moisés Horta, Moisés Lopez e Marco Antonio Jimenez nasceram e foram criados nas cidades próximas ã fronteira entre os dois países na região da California. "Nåo somos de lá, nem de cá" nos disse Moisés Horta por MSN.

 

O trânsito entre México e Estados Unidos trouxe algumas peculiaridades ao gosto musical dos meninos. Enquanto moravam nos EUA, assistiam MTV, gostavam de nu- e death-metal, house, trance e indie rock. Marco Antonio disse que seu irmão mais velho ouvia muito hip-hop e rock e Moisés Horta conta que sua irmã mais velha o apresentou à música eletrônica. No México ainda estavam em contato com a cultura pop norte-americana, mas com um detalhe: a forte presença da música popular mexicana na cidade, nas festas, na rádio e na TV. Parece o Brasil?

 

 

Los Macuanos
Los Macuanos

 

Flash Content
Los Macuanos - La Burrita (mp3)

Flash Content
Los Macuanos - Virgencita (mp3)

 

Ritmos como cumbia e banda sinaloense aparecem meio espectrais na música de Los Macuanos, que mistura house, ambient e climas aéreos. É muito mais legal ouvir isso no som que com fone de ouvido e ainda mais legal com muitas pessoas junto. É um som que convida para uma experiência mais coletiva.

 

Um pouco diferente é o María y José:

 

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María y José

 

Marco Antonio Jimenez a.k.a. María y José - com quem falamos também por MSN - é o mais novo do três (20), é quase nunca dá uma resposta séria. Fazia sempre piadas com Moisés H e L, sempre incendiando. Sua música tem uma personalidade parecida:

 

Flash Content
María y José - Ola de Calor (mp3)

 

Outro grupo, Los Amparito aparece sempre relacionado a Los Macuanos e María y José. Lindíssima é essa cumbia com colagens de accordeon e uma voz lá longe:


Flash Content
Los Amparito - Las Miradas De Magaly (mp3)

 

A experiência multi-cultural sempre esteve presente nas vidas dos meninos dessas cidades-fronteira. Mas o que surpreende é que Los Macuanos e María y José afirmam que sua música é uma continuidade possível da música popular do México, e não uma apropriação dela. "Autênticos" ou não, os grupos mostram como cada vez mais o valor do "local" acompanha o "original" na lógica da música pop independente.

 

Por mais que eu tentei perguntar de diversas formas como acontece de fato a mistura do México-Estados Unidos no trabalho deles, ficamos sem uma frase que dê conta. "É por isso que nós fazemos música." explica Moisés Lopez.

 

tex-mex2

Los Macuanos

myspace.com/losmacuanos


 

Para saber mais acesse os blogs:

Brillo Monthly

Yo Te Amo

 

 

 

 

 


Vivian Caccuri
Vivian Caccuri
comentários
1 comentários
Fabio Spavieri
Fabio Spavieri(12.11.09)
0AprovadoQueima
adorei !