O que rolou de legal pelo Ars Electronica!
Resumir o Ars Electronica em um post não é nada fácil. Mas como todo blogueiro brasileiro é herói, vamos contar um pouco do que vimos do dia 3 a 7 de Setembro na Áustria caipira-tecnológica, nada a ver com o hype de Viena.
Em Linz, um querido amigo catalão que trabalha para o Sónar nos disse que o austríaco é um alemão latino. Se usarmos o alemão Felix Kubin como o anti-latino absoluto podemos até acreditar nisso! Essa espécie de andróide neo-Kraftwerk fez nossa primeira noite ser inesquecível. Veja nossa gravação:
No dia seguinte um choque cultural. A incrível G.rizo uma gata negra furação de figurino à la Rihanna programava seu som e fazia um rap sozinha no mesmo palco que Felix Kubin havia arrasado corações e tímpanos. Foi engraçado como ali os Estados Unidos assumiram uma cara "exótica" para mim. Estranho? Leve para os confins da Áustria uma afro-americana ultra-carismática mega-talentosa que faça os europeus dançarem até morrer para entender!
Uma exposição inteiramente dedicada a mostrar obras de som nas artes tomou as galerias do Lentos Museum. Com minha humilde câmera consegui fazer um pequeno vídeo de um dos trabalhos mais fotogênicos da mostra:
Essa peça, que é na verdade enorme, faz um jogo de ondas eletromagnéticas sonoras e ferrofluid; esse estranho material escuro. Tudo é feito de lixo tecnológico e o resultado é uma mistura de caos e organização em vibrações bem graves.
Mais colorido e inocente é o trabalho do japonês Yuri Suzuki que estava no OK Center:
Sua criatividade em vinil gerou meta-vitrolas: agulhas móveis ou instaladas dentro de carrinhos e LPs modulares que podiam ser montados e desmontados pelos visitantes. Era uma obra divertida mais no sentido do entretenimento e uma das mais movimentadas de todas as exposições do Ars Electronica.
A noite musical de gala do festival era o evento "The Pursuit of the Unheard" que apresentou vários artistas que inovavam tanto em seu material sonoro como no formato de performance. Já de cara, a noite ganhou um tom irônico e bem-humorado com o concerto dos coelhos franceses Nabaz'mob; uma espécie de toy-art polifônica que pode ser "regida" por um computador:
Logo mais tarde, a coisa não era mais tão boazinha. A compositora Elisabeth Schimana propôs a peça mais pesada da noite, usando o ancestral do sintetizador Moog, chamado MaxBrand. A coisa era um "monstro tecnológico" operado pela fantástica pianista Manon Liu Winter e Gregor Ladenhauf que fazia os controles dos milhões de botões, chaves, cabos e válvulas.
Não se preocupe se você não apreciou, não era para apreciar mesmo. Schimana propôs uma "trip to hell with no return ticket" que fez até algumas pessoas passarem mal e sairem da sala. Nos divertimos moderadamente graças aos protetores de ouvido dados pela organização.
É legal ir a esse tipo de evento para entender como artistas e músicos estão se comportando frente à uma tecnologia pervasiva, que está em tudo e em qualquer lugar, sugando boa parte de nossa atenção e desejo. Sejam críticos ou entusiastas, sérios ou irreverentes, os artistas que trabalham com tecnologia estão com uma batata quente na mão, buscando meios de legitimação de seu trabalho com algumas estratégias bem-sucedidas e outras nem tanto. De qualquer maneira, vale a pena acompanhar para dançar ou para passar mal.





Valeu pelo relato :)